sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PROTETORES DE ANIMAIS: UMA CAUSA JUSTA PELA QUAL DIZEM QUE SÃO LOUCOS, MAS LOUCO É QUEM OS DIZ





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 Fernanda Toffuli


Quando um grupo de pessoas se reúne por uma causa nobre, surgem agentes do bem; nesse caso surgem os voluntários da causa animal. 


Essas pessoas muitas vezes resgatam animais nas ruas, em estado deplorável e cuidam deles com amor e carinho; levam-nos ao veterinário e os reabilitam para adoções, que geralmente acontecem em eventos destinados para isso.









A ativista de Taubaté-SP, Rosangela Vegana Coelho, explica como começou o seu envolvimento com a causa animal: “E ainda pequena eu já sentia uma ligação muito especial com os gatos, o que mais tarde intuí ser uma devoção espiritual pela energia do gato e seu poder de transmutação tão importante para a minha evolução espiritual. E assim, Poliana Zumi entra em minha vida; uma gata retirada de um bueiro. E naquele instante, em que a vi e toquei eu acessei o amor da forma mais bela possível. E criamos intimidade e amizade. Meu amor por ela foi auxílio na percepção de que todos os animais merecem e tem direito de ser respeitados”.


Rosangela com a gata Poliana Zumi: o despertar da compaixão






Mas muitos voluntários não tem espaço para colocar animais em casa, então eles fazem rifas e bingos para arrecadar dinheiro para ajudar nas contas dos protetores que resgatam: “Eu ajudo os animais comprando, fazendo e divulgando rifas e com a venda dos meus artesanatos. Sempre dou brindes para as protetoras fazerem rifas e bingos. Eu também faço pedidos de doações de ração e conto com a ajuda de meu marido que é meu braço direito e me apoia sempre”, comenta Paula Damilano, técnica de laboratório e moradora de Taubaté-SP, no Vale do Paraíba paulista.




Gato Skoll no momento da adoção, à esquerda, em 2014, e atualmente, à direita




O essencial para se ter um animal bem cuidado é tomar algumas providencias veterinárias com eles e garantir a boa qualidade de vida. 


A castração e a vacinação são importantíssimas. A vacinação evita doenças muitas vezes fatais, e a castração evita doenças nos machos como câncer de próstata, e em cadelas impede a piometra, que é a inflamação do útero causada por infestação de bactérias. 












Outro fator de extrema importância associado à castração é o impedimento da proliferação de crias indesejadas, o que  evita ainda mais abandono:  “A única forma de controlar a proliferação de animais de companhia é a castração. Fêmeas devem ser castradas a partir dos três meses de vida, e machos a partir dos cinco meses de vida. A importância da esterilização é grande, tendo em vista que cada fêmea dá uma média de cinco filhotes por cria. No caso das cadelas são duas a três crias por ano. As gatas, a cada três meses uma gestação; multiplicando esses números, chegamos a um total muito grande de animais,  muitos abandonados , atropelados e envenenados”, explica a médica veterinária Heloisa Marinho, de Taubaté-SP. 



A veterinária doutora Heloísa Marinho, durante trabalho voluntário com animais resgatados após o rompimento da represa da Vale do Rio Doce, em Mariana-MG, no ano passado (2015)












A adoção é uma forma de ajudar animais. Eles muitas vezes são levados para eventos e as pessoas os escolhem e adotam, porém, varias medidas são tomadas para evitar que esses animais sofram novamente: “Pra você fazer uma adoção responsável, é preciso ter em mente alguns requisitos: animal não é brinquedo e é como se fosse uma criança. É necessário ter condições financeiras, pois um animal tem gastos como ração de boa qualidade e sem corantes, água, vacinas em dia, vermífugos de 6 em 6 meses, banho, veterinário e brinquedos para sua qualidade de vida. Ter em mente que todos da casa estão de acordo em adotar o animal e que o animal vai destruir suas plantas, vai arranhar seu sofá, vai destruir seus sapatos e vai encher suas roupas de pelos. Cães e gatos podem viver 15 anos ou mais e você tem que se comprometer em cuidar dele todo esse tempo com muito amor e carinho. Identificar seu animal com Plaquinha e, se possível, com chip de identificação. Não deixar ter acesso nenhum à rua (no caso se tiver gatos  colocar tela em todas suas janelas e muro se for preciso). Nunca deixe eles darem uma voltinha pois, numa dessas saídas, ele pode ir e nunca mais voltar ou se voltar pode estar correndo risco de ser atropelado, pegar doenças, ser envenenado ou maltratado, enfim, nunca maltrate ou abandone um animal”, explica  Aline Meirelles, estudante.



A protetora de animais Aline Meirelles, de Taubaté-SP




Se interessou por animais? Quer ajudar os protetores? Procure uma associação ou ONG e faça a sua parte! 



Muitos animais vivem por toda a vida em pequenas celas nos centros de controle de zoonoses das cidades. Adote! Não compre cães de reprodutores que exploram o sofrimento de fêmeas de raça durante todas as suas vidas. O mundo não precisa de mais cães reproduzidos em cativeiro; precisa sim de castração e adoção.





 Cássio Ribeiro

Em Guaratinguetá-SP, também no Vale do Paraíba paulista, a protetora e ativista da causa animal, Marilene de Barros (conhecida como Lena), arrecada ração para gatos e, todos os dias sem falta, faça chuva ou sol, vai à rodoviária da cidade e ao cemitério Nosso Senhor dos Passos, no fim da tarde, para oferecer ração e água aos felinos que vivem nesses dois locais de Guaratinguetá.


Marilene, à esquerda, observa os gatos que vivem no Cemitério Nosso Senhor dos Passos, em Guaratinguetá-SP




A protetora conta que todos os anos, no dia de finados, alguns familiares de pessoas sepultadas no local se revoltam, chutam e levam embora vasilhas de água e ração em sinal de protesto e indignação pelo fato dos cerca de 20 felinos viverem no local. Quem seriam os loucos?



A 101% Rock foi acompanhar o trabalho voluntário da senhora Marilene de Barros em uma tarde no cemitério dos Passos e tivemos uma surpresa. O resultado está na videorreportagem composta pelos 4 vídeos abaixo:





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                                      A chegada



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                          O momento da alimentação



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                          Uma surpresa e o flagrante




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O que o ativismo da proteção animal representa para dona Lena de Barros



A mãe dos filhotes fora do túmulo no momento em que saiu para dar uma volta, ...


e deitar-se, no detalhe à esquerda, junto a outros gatos para descansar um pouco afastada das 5 pequenas crias que continuaram a aguardá-la dentro do túmulo



Marilena de Barros (Lena): a ativista conta que alguns habitantes da cidade que não castram suas gatas, ao tomarem conhecimento da gestação de suas felinas e saberem do trabalho voluntário realizado pela protetora na rodoviária e no cemitério dos Passos, ... 




levam as crias e até mesmo as mães adultas e os abandonam nos referidos locais da cidade. Quem seriam os loucos?








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Confira abaixo a entrevista exclusiva com a ativista Rosangela Vegana Coelho, num bate papo sobre proteção animal, veganismo e o entendimento da sociedade em geral com relação ao ativismo da causa animal:






101% Rock: O que é ser ativista da proteção animal para você e como você se sente desempenhando essa atividade na sociedade?


Rosangela: O termo seria ativista do Direito Animal porque implica em uma concepção ética de que animais não humanos devem ser respeitados em sua identidade enquanto espécie. Proteger é algo mais ligado a empatia, acolhimento...

Neste sentido, ser ativista do Direito Animal é formatar minha vida de acordo com essa ética de que os animais possuem direitos que nós devemos assegurar e respeitar. Isso não é amor, é respeito. Para mim ser ativista é obrigação moral, posto que luto para assegurar direitos de seres desprovidos de fala e que não podem fazer reivindicações .






101% Rock: Como vc percebe que a sociedade, no geral, ou as pessoas que não tem envolvimento com a proteção animal veem a figura do ativista?


Rosangela: Então, eu desempenho as duas atividades, protetora de animais que usualmente é conhecida como aqueles que resgatam e acolhem cães e gatos vítimas do abandono e crueldade e desempenho uma função na sociedade como ativista que, como disse, tem uma implicação ética fundamentada no direito dos animais de não serem explorados e vistos como objetos à disposição humana...
A sociedade ainda não está preparada para acolher a figura do ativista e somos vistos como desocupados, arrogantes e radicais. Não, ninguém quer ver que a humanidade é cruel com os animais e os tem subjugado, explorando-os para benefícios que, para nós, não importa se são muitos ou poucos. Não, animais não existem para suprir necessidades humanas, seja quais forem. Somos os chatos, os indesejáveis, os loucos de uma causa perdida, ouço muito isso. Os ativistas são muito atacados até mesmo por aqueles que protegem cães e gatos. 




101% Rock: Como a sua família (parentes próximos que vivem na sua casa e família no geral) veem sua atividade como ativista na proteção animal?


Rosangela: Essa questão é delicada. Seria interessante fazer um entre aspas e colocar aqui falas deles próprios ( risos).  A minha família, acredito, ainda não consegue acessar o que sou realmente, acho que temem pela minha integridade física e psicológica. Não é fácil lidar com o sofrimento dos animais o tempo todo e as pessoas se sentem mais confortáveis com a superficialidade. Minha mãe, tenho certeza, queria que eu fosse diferente, menos ventania (risos novamente), um pouco mais pacata e domesticada.  Meus parentes... aprendi a não me importar com a opinião deles. É minha vida e é loucura ter que me esforçar para agradar pessoas que são irrelevantes para mim. Luto por uma causa nobre, são inocentes, se não conseguem tocar isso com respeito, prefiro ficar distante e seguir meu caminho, meu Ofício Sagrado de Servir aos Animais.








101% Rock: Quando você chega com mais um animal em casa, ou recebe mais um, como aquele filhote de gato trazido recentemente pelas crianças, como seus familiares reagem a isso? 


Rosangela: Quando uma pessoa não se importa com nada além do seu próprio bem-estar é muito difícil entender que é preciso acolher um gato ou um cachorro em situação de abandono. Nossa espécie os domesticou e, assim, temos uma dívida imensa com eles, minimizar seu sofrimento não paga essa dívida porque o ideal seria que retornassem à sua condição primária, dentro de sua identidade de existência original.


Em Mariana-MG, durante trabalho voluntário com animais resgatados após o rompimento da represa da Vale do Rio Doce,  em 2015

101% Rock: O poder público ajuda de alguma forma os ativistas em suas atividades de proteção animal? Doa remédios, ração, arca com despesas de internação de animais?

Rosangela: Não posso responder por todos os protetores de cachorro e gato mas nunca recebi um centavo do poder público para os animais que resgato.  Todos os gastos são pagos com recursos próprios, ajuda de amigos e eventos como rifas e bingos.




Três momentos na Câmara Municipal de Taubaté-SP: acima, durante audiência pública pelo fim das carroças e charretes na zona urbana de Taubaté, ...


expressando sua opinião na tribuna da Câmara Municipal sobre o fim das carroças e charretes na zona urbana de Taubaté e ...



dialogando com vereadores no intervalo da sessão em busca de apoio para a causa animal

 

101% Rock: Falando um pouco sobre você e o veganismo agora, o que é o veganismo e qual a diferença entre veganismo, vegetarianismo etc?


Rosangela: É muito difícil determinar o que é veganismo mas, basicamente, vegano é aquele que tem uma alimentação estrita vegetariana, ou seja, livre de qualquer componente de origem animal, como carnes, leites, ovos e mel. Além disso, não usa nada que tenha origem animal como couro, seda, lã, produtos testados em animais e produtos que contenham algum ingrediente de origem animal; o vegano também não apoia e não participa de nenhuma atividade cujo animal é usado, explorado e ferido em sua identidade cultural. Para mim, especificamente, veganismo é a forma mais coerente de proteger e amar os animais.  Vegetarianismo é normalmente designado àqueles que se abstém de carnes mas consomem produtos e derivados animais.



101% Rock: Se o feijão for preparado com um pedaço de bacon também não rola né? O comprometimento do vegano em se abster de qualquer consumo com relação a animais é total?

Rosangela: Não rola. Essa questão faz com que eu diga que não existe uma cartilha do vegano. Veganismo é, antes de tudo, consciência, ou existe o comprometimento total ou não existe veganismo. Não dá para ser vegano de segunda a sexta, por isso mesmo não apoio campanhas como Segunda Sem Carne e Desafio 21 Dias Sem Carne.




101% Rock: Muitas pessoas tornam-se veganas e continuam a comer produtos industrializados; explica melhor isso?


Rosangela: Dois grandes desafios: A questão da carne, leite e ovos é antes de tudo uma implicação cultural e a dificuldade de quebrar paradigmas sustentados historicamente pela comunidade médica. As pessoas estão habituadas a ter restos e partes de animais sobre a mesa, sobre os pratos e dentro do estômago. Isso é normalidade para elas, sem isso sentem-se menos pessoas. Nunca questionaram a comida que comem, nunca discorreram acerca disso. Sempre foi assim e reproduzem essa herança. Romper com isso é muito difícil para elas e quando começam a dar passos para a dieta vegetariana estrita sentem uma falsa necessidade (não precisamos de industrializados, a natureza nos dá tudo que precisamos de alimento) de produtos cheios de químicas e aromatizados artificialmente. Não costumo implicar com isso, mas tenho buscado outro caminho. Um retorno para a natureza, reconciliação com a terra e com a Terra.


101% Rock: Com a alimentação vegana que você pratica, alguma vez após algum exame o médico já disse que havia alguma deficiência de nutrientes no seu corpo?


Rosangela: Preciso dizer que fujo dos médicos , que me perdoem alguns que são amigos. Faz anos que não tenho resfriados, viroses e doenças comumente adquiridas pelas pessoas, algumas até as tem como propriedade ( risos), alimentam-se mal, cigarros, bebidas excessivas, compulsão alimentar... tudo isso e a falta de compaixão tornam-se bomba no organismo. Bem, sou doadora de sangue, acho que está tudo ok, mas considero importante sim um acompanhamento de um profissional na transição para o veganismo.  Os meus últimos exames indicam que sou uma pessoa saudável.



                               Alguns vegetarianos famosos
 
101% Rock: Fale um pouco sobre o livro que você está lendo atualmente – Galactolatria (Mau Deleite).


Rosangela: Galactolatria Mau Deleite traz um conteúdo riquíssimo sobre as realidades escondidas pela indústria do leite. Nós precisamos crescer, leite é importante somente nas fases iniciais de nossa vida terrena e quando digo leite não me refiro ao que roubamos de outras espécies. A vaca não dá leite, ela é sempre roubada mediante um crime de exploração e crueldade. Eu afirmo que há mais morte e sofrimento em um copo de leite do que em um pedaço de carne, veja bem, não digo que é melhor comer carnes e evitar o leite, mas é preciso que as pessoas saibam que vacas são estupradas , inseminadas artificialmente, recebem quantidades enormes de drogas (não há outra palavra que aponte o que os hormônios causam em seu corpo), causando sérias infecções. Como se não bastasse tudo isso, elas vivem presas em máquinas que são usadas para extrair leite que deveria ser para seu filho. E os bezerros? Esses são retirados de suas mães poucos dias após o nascimento e os machos são conduzidos para confinamentos onde terão uma alimentação pobre de ferro, praticamente imobilizados para que não desenvolvam músculos e suas carnes sejam brancas e rosadas para garantir a gula vaidosa de humanos que adoram comer vitelo para celebrar momentos especiais. O livro traz todas essas informações e muito além disso, a autora Sonia T Felipe , doutora em Filosofia, apresenta um trabalho sério, tudo muito bem amarrado tecnicamente, com todos os dados científicos existentes sobre o assunto. Trata-se de um livro de estudo para quem age em benefício dos animais não humanos mas também é para aqueles que querem tirar o véu da opressão e negação de informações reais sobre a indústria sangrenta do leite.




101% Rock: Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas com relação ao ativismo da proteção animal?


Rosangela: Gostaria de acenar que nós não somos seres especiais ou espaciais. Somos humanos que a partir de uma consciência mais ampla de compaixão e respeito pelos animais, com coragem e ousadia, colocamos nossa vida, nossos conhecimentos e racionalidade em favor daqueles que são explorados porque não são da nossa espécie. Pessoalmente eu digo que exerço um ofício, o Ofício Sagrado de Servir aos Animais, nesse sentido busco reconciliar animais e humanos através da prática do amor, acolhendo e amparando esses que chamo de meus irmãos.





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