domingo, 27 de setembro de 2015

TV TUPI: A PRIMEIRA EMISSORA DE TV DO BRASIL


Cássio Ribeiro


Quem diria, nos idos das décadas de 70, 80 e 90, tempos em que as novelas da Globo eram soberanas em atenção do público no horário nobre, que a TV um dia perderia para a Internet em atenção diária do público. 

Curioso notar que o observado hoje sobre a Internet em relação à TV já ocorreu de forma semelhante com a TV em relação ao veículo de comunicação rádio.  

O rádio e suas rádio novelas perderam a grande atenção do público de massa para a TV quando, em 1950, um visionário chamado Assis Chateaubriand trouxe o sistema de transmissão televisivo para o Brasil e inaugurou a PRF-3 TV TUPI de São Paulo, primeira TV do Brasil e da América Latina, em 18 de setembro daquele ano.

 PRF-3 TV TUPI... O CACIQUE NO AR !!!



o jornalista Assis Chateaubriand no dia da inauguração da TV Tupi



 Os primeiros aparelhos foram importados pelo próprio jornalista Assis Chateaubriand, ou simplesmente Chatô, como era chamado pelos mais íntimos.


Esses mais íntimos, cada um deles, ganhou de Chatô um dos aparelhos de TV importados. Entre esses amigos e patrocinadores do projeto estava Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo e pai do já falecido Roberto Marinho das Organizações Globo de comunicação. 

O restante dos aparelhos de TV que não foram doados por Chatô aos amigos, foram instalados em praça pública.

Chateaubriand faleceu em 4 de abril de 1968, porém, sua rede de comunicação chamada Diários Associados já vinha passando por severa crise financeira bem antes da data de sua morte.

Os anúncios na Tupi diminuíam e sua programação sofria cortes de vários programas. As TVs concorrentes começavam a ganhar a audiência que antes pertencia à Tupi. A Globo começava, na década de 70, a despontar como a grande líder de audiência televisiva que é até hoje.


A TV Tupi não pagava o salário de seus funcionários há meses. De 1975 a 1980 ocorreram escândalos financeiros e as dívidas com a previdência social tornaram-se vultosas, ficando a situação de manutenção da emissora insustentável.

Por outorga do então presidente da república, General João Baptista Figueiredo, em 18 de julho de 1980, dois meses antes de completar 30 anos, a pioneira TV Tupi era retirada do ar.

Os transmissores foram desligados e lacrados por 3 engenheiros do DENTEL (Departamento Nacional de Telecomunicações). O desligamento ocorreu no 13º andar do prédio da TV Tupi de São Paulo, no bairro do Sumaré, porém, saíram do ar simultaneamente as seguintes emissoras: TV Rádio Clube de Recife, TV Piratini de Porto Alegre, TV Ceará de Fortaleza, TV Itacolomi de Belo Horizonte, TV Marajoara de Belém e a TV Tupi do Rio de Janeiro.





Curioso perceber que o ocorrido com a TV Tupi aconteceu também com outra grande emissora de TV daqueles tempos, a TV Excelsior, que, assim como a Tupi, não apoiava diretamente as gestões federais dos generais da Ditadura Militar brasileira (1964 - 1985).





A Globo e o SBT, com política editorial e ideológica bem mais próxima do governo militar daquele tempo, foram as que mais prosperaram com o recebimento de anúncios publicitários e boas oportunidades de parcelamentos para os pagamentos de dívidas.

A vida do idealizador e fundador da TV Tupi, Assis Chateaubriand, pode ser conhecida a fundo na obra “Chatô O Rei do Brasil”, de Fernando Morais.



As 736 páginas do verdadeiro "longa metragem" escrito valem muito a pena serem lidas, pois, ao mesmo tempo em que contam os curiosos detalhes da vida de Chatô, são também uma rica aula de história do Brasil.



terça-feira, 1 de setembro de 2015

SWING: A SOCIEDADE PARALELA DOS CASAIS LIBERAIS





Cássio Ribeiro

O ambiente é como o de uma festa comum. Os convidados (casais) começam a chegar. São amigos e frequentadores habituais de outras vezes, ou casais que têm a curiosidade de conhecer pela primeira vez como funciona uma casa de swing ou encontro de casais.

Todos que chegam são recebidos pelo dono da casa que leva os casais de primeira viagem para uma rápida apresentação das dependências da Swing Open Doors, que é uma casa em Taubaté SP onde são realizadas festas de encontros de casais. 








Na Open, como é regra em todas as casas do gênero, tudo é permitido mas nada é obrigado. Alguns casais vão para conhecer, mas isso não quer dizer que haja ou seja uma regra ter que se envolver nos chamados fervos, que são as festas e os contatos mais íntimos onde ocorrem as trocas de casais.
 


O mais curioso de tudo é que: sabe quem você vai encontrar em uma casa de swing? Talvez o pediatra do seu filho, a moça que trabalha no caixa da padaria aí da esquina ou o frentista do posto; gente comum mesmo.




Gente comum que compõe a sociedade que conhecemos com suas regras morais de conduta, mas também compõem uma sociedade paralela na qual as regras de conduta e etiqueta são particularmente bem claras e especificamente definidas.



A figura do “corno” não existe. Pode parecer até paradoxal, mas traição entre os casais liberais não acontece na concepção e na convivência deles. “As esposas não são prostitutas”,  afirma Paulo, proprietário da casa Swing Open Doors, que fica em Taubaté, no interior paulista. 

Quando os casais ainda não se conhecem, formam-se dois grupos: um com os maridos e outro composto pelas esposas: “um marido precisa primeiro conquistar a simpatia do outro marido para só depois aproximar-se da esposa para conhecê-la”, explica Paulo.


Ele completa dizendo que os homens solteiros encaram as casas de swing como se fossem bordeis nos quais as esposas estão à disposição de todos que pagam a entrada. Por esse motivo, a Open Doors atualmente só recebe casais em seus eventos. Os homens solteiros apenas entram se forem levados por casais já conhecidos da casa.

Embora a maioria dos frequentadores sejam casais realmente casados, casais formados por amigos, sem que exista real matrimônio entre ambos, também podem frequentar, mas a situação da dupla deve ficar sempre clara para todos os demais frequentadores. No mundo liberal, a verdade é um dos principais valores cultivados naqueles encontros sociais.

O ambiente mais curioso de uma casa de swing é o dark room (literalmente quarto escuro) onde tudo se faz mas nada se vê. Os sons são os mais estridentes  em termos de lascívia sexual. Gemidos de ambos os sexos e barulhos de ações em penetrações ecoam num emaranhado de sons que no fundo mais parece um tumulto, uma briga não muito barulhenta. 

No dark room também existem regras claras como em toda a prática liberal. Não queira acender a luz da tela do seu celular lá dentro, pois se isso ocorrer, certamente darão-lhe um tapa que lançará seu celular numa espécie de mar de esperma que cobre o chão, afinal, é fervo sexual e fartas ejaculações masculinas que ocorrem no escuro total do dark room.

 





No livro “Swing: Você Está Pronto?” (Biblioteca 24 horas) www.biblioteca24horas.com.br  o casal Carlos e Camilla Andrade, com mais de 17 anos de experiência na prática do mundo liberal, desvenda todos os meandros do mundo da sociedade paralela dos casais liberais. 

A obra, na primeira parte, apresenta o que é Swing e esmiúça todos os detalhes da prática. Já na segunda parte, traz relatos verídicos  em contos das experiências vividas pelo casal. 

“Todos nós, homens, mulheres, jovens ou velhos já seduziram, namoram ou ainda olham outras pessoas com desejo e isso é uma coisa absolutamente normal, porém, o que faz a diferença são os tabus que a sociedade atribuem e as regras que nós mesmos criamos: “agora estou casado, não devo olhar para ninguém” e assim que olhamos um belo traseiro que passa, com o canto dos olhos, sem ela ou ele perceberem e assim somos mais um hipócrita no mundo, outros e outras vão além, fazem sexo com seus parceiros pensando em outras pessoas que viram nas ruas, no local de trabalho etc. E chegam muitas vezes a trocar os nomes na hora do prazer. Finalmente vem as traições. Maridos que traem, cultivam amantes e chegam a desviar os recursos do orçamento familiar para supri-las e manter seus luxos, e as mulheres que não são tolas, logo sentem a mudança no comportamento do marido e mudam o jeitão de ser ou acabam traindo também para dar o troco e esse vai e vem de traições vai levando o casamento ao caos...”, começa Carlos no capítulo chamado O QUE É SWING, primeiro do livro.


Trata-se de uma excelente leitura para casais que têm o interesse em conhecer as curiosidades e as regras  do mundo liberal antes de começar a frequentar uma casa de swing na prática.


Swing é troca de casais, menage é sexo a três (que pode ser menage feminino, quando a relação se dá entre duas mulheres e um homem; e menage masculino, quando dois homens se relacionam com uma mulher apenas). Gang bang são várias mulheres e um homem ou vários homens com uma mulher, e existem maridos que apreciam ver a cena; esses maridos são chamados de voyeur.

O mundo do swing possui até uma rede social própria chamada SexLog https://www.sexlog.com/ na qual os participantes fazem cadastro e também se adicionam como amigos, de acordo com o que procuram e as respectivas afinidades no chamado mundo liberal.


Existem quartos coletivos, quartos privados e o já apresentado dark room. Tem casais que apenas se relacionam sexualmente com todos vendo; são os praticantes do exibicionismo, cujos adeptos também sentem atração pela prática sexual em público no dia a dia ou em uma situação escondida prestes a serem surpreendidos por outras pessoas.


Nessa ou naquela prática, a grande regra do meio liberal talvez seja a que, de certa forma, abrange todas as outras: “tudo é permitido, mas nada é obrigado”.