quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ATEÍSMO: UM ENTENDIMENTO DO QUE É SER ATEU






Fernanda Toffuli



“Ateu é alguém que não acredita em divindades e a polêmica se deve ao fato de que a crença em deuses já está enraizada na nossa cultura”, comenta o químico Wellington Junior Camargo.

Essa é uma das afirmações que algumas pessoas utilizam para expressar a sua “não-crença”. A palavra ateu tem origem no grego atheos, que significa aquele que não crê em divindades ou seres divinos, sendo também aplicado nos casos em que não se participa de doutrina ou alguma religião.

 Símbolos ateus 

Essa ideia do não criacionismo vem sendo discutida muito antes  da especulação da ciência nos tempos modernos ou do aparecimento de algumas religiões.

A palavra ateu foi utilizada no século 18, principalmente sob a forma de "insulto" às pessoas que não tinham nenhuma fé eu um Deus monoteísta, sendo que hoje essa palavra ganhou um significado diferente, denominando apenas o livre pensamento e a não apreciação de divindades, mas mesmo assim, ainda existem pessoas que têm preconceito com quem não acredita na existência de Deus.
“Existem verdades individuais e cada qual tem a sua. O ateu ao se defender das investidas de alguns religiosos usa de conhecimentos científicos e nisso acaba por ofender a religiosidade. Como a ciência é tida como a verdade mais próxima do que seria absolutista , o ateu chega a ser repudiado – por ter raciocínio tendencioso ao científico- já que “ofende” o teísta que tem por verdade a fé”, diz Sidnei Chaia, militar.
Muitas pessoas que não tem uma fé muitas vezes são tratadas como “erradas” e “más”, sendo vítimas de preconceito por parte de alguns religiosos desinformados em relação ao ateísmo, ou a não crença em deuses.
Sobre o ponto de vista ateu, não existe céu ou inferno, nem vida após a morte, tornando a realidade atual a única verdade conhecida, sendo que essas pessoas podem fazer caridade, escolhem a denominação política a seguir e mesmo a ética, sendo que cada uma delas são “livres-pensadores”, não tendo nenhuma ligação com a religiosidade. 


“ É importante que os ateus se mobilizem para ganhar cada vez mais espaço na sociedade, porque quanto mais pessoas assumirem seu ateísmo publicamente,a sociedade tratará os ateus com mais respeito. É possível ser bom ao próximo sem precisar acreditar em divindades”, completa o químico Wellington  Camargo.






Fernanda Toffuli é jornalista  pós graduada em Assessoria, Gestão da Comunicação e Marketing pela Universidade de Taubaté (UNITAU).

domingo, 27 de setembro de 2015

TV TUPI: A PRIMEIRA EMISSORA DE TV DO BRASIL


Cássio Ribeiro


Quem diria, nos idos das décadas de 70, 80 e 90, tempos em que as novelas da Globo eram soberanas em atenção do público no horário nobre, que a TV um dia perderia para a Internet em atenção diária do público. 

Curioso notar que o observado hoje sobre a Internet em relação à TV já ocorreu de forma semelhante com a TV em relação ao veículo de comunicação rádio.  

O rádio e suas rádio novelas perderam a grande atenção do público de massa para a TV quando, em 1950, um visionário chamado Assis Chateaubriand trouxe o sistema de transmissão televisivo para o Brasil e inaugurou a PRF-3 TV TUPI de São Paulo, primeira TV do Brasil e da América Latina, em 18 de setembro daquele ano.

 PRF-3 TV TUPI... O CACIQUE NO AR !!!



o jornalista Assis Chateaubriand no dia da inauguração da TV Tupi



 Os primeiros aparelhos foram importados pelo próprio jornalista Assis Chateaubriand, ou simplesmente Chatô, como era chamado pelos mais íntimos.


Esses mais íntimos, cada um deles, ganhou de Chatô um dos aparelhos de TV importados. Entre esses amigos e patrocinadores do projeto estava Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo e pai do já falecido Roberto Marinho das Organizações Globo de comunicação. 

O restante dos aparelhos de TV que não foram doados por Chatô aos amigos, foram instalados em praça pública.

Chateaubriand faleceu em 4 de abril de 1968, porém, sua rede de comunicação chamada Diários Associados já vinha passando por severa crise financeira bem antes da data de sua morte.

Os anúncios na Tupi diminuíam e sua programação sofria cortes de vários programas. As TVs concorrentes começavam a ganhar a audiência que antes pertencia à Tupi. A Globo começava, na década de 70, a despontar como a grande líder de audiência televisiva que é até hoje.


A TV Tupi não pagava o salário de seus funcionários há meses. De 1975 a 1980 ocorreram escândalos financeiros e as dívidas com a previdência social tornaram-se vultosas, ficando a situação de manutenção da emissora insustentável.

Por outorga do então presidente da república, General João Baptista Figueiredo, em 18 de julho de 1980, dois meses antes de completar 30 anos, a pioneira TV Tupi era retirada do ar.

Os transmissores foram desligados e lacrados por 3 engenheiros do DENTEL (Departamento Nacional de Telecomunicações). O desligamento ocorreu no 13º andar do prédio da TV Tupi de São Paulo, no bairro do Sumaré, porém, saíram do ar simultaneamente as seguintes emissoras: TV Rádio Clube de Recife, TV Piratini de Porto Alegre, TV Ceará de Fortaleza, TV Itacolomi de Belo Horizonte, TV Marajoara de Belém e a TV Tupi do Rio de Janeiro.





Curioso perceber que o ocorrido com a TV Tupi aconteceu também com outra grande emissora de TV daqueles tempos, a TV Excelsior, que, assim como a Tupi, não apoiava diretamente as gestões federais dos generais da Ditadura Militar brasileira (1964 - 1985).





A Globo e o SBT, com política editorial e ideológica bem mais próxima do governo militar daquele tempo, foram as que mais prosperaram com o recebimento de anúncios publicitários e boas oportunidades de parcelamentos para os pagamentos de dívidas.

A vida do idealizador e fundador da TV Tupi, Assis Chateaubriand, pode ser conhecida a fundo na obra “Chatô O Rei do Brasil”, de Fernando Morais.



As 736 páginas do verdadeiro "longa metragem" escrito valem muito a pena serem lidas, pois, ao mesmo tempo em que contam os curiosos detalhes da vida de Chatô, são também uma rica aula de história do Brasil.