Bem vindo ao Blog da 101% Rock, que toda semana traz uma matéria para você. Além do gênero musical Rock, este blog também publica sobre assuntos do cenário alternativo, dos esportes radicais, da arte e da cultura geral. Sejam bem vindos e voltem sempre.
O Mar de Aral já foi o 4°
maior lago ou mar interior do mundo, com uma área inicial de 68 mil quilômetros
quadrados. Assim como o Mar Cáspio e oMar Negro,sua formação ocorreu hácerca de 5,5milhões de anos,devido a uma diminuição no nível dos mares.
O Mar de Aral se tratava
originalmente de um rico ecossistema que reunia peixes, pássaros e muitos
outros animais selvagens, mas começou a encolher e perder seu volume de água a
partir de 1960, quando a então União Soviética começou a drenar as águas dos rios
que o alimentavam (Rio Syr, ao norte; e Rio Amu, mais ao sul) para a irrigação
de imensas plantações de arroz, melões cereais e algodão, chamado pelos
soviéticos na ocasião de Ouro Branco.
Como resultado, os níveis de
água do Aral cairam rapidamente em 50 anos, e atualmente, a área ocupada pelo
Mar já diminuiu 90%, dividindo-o em dois pequenos lagos, chamados Aral do Norte
e Aral do Sul. Muitos cientistas afirmam que o ocorrido trata-se da
transposição para irrigação mais mal administrada da História.
Localização do Mar de Aral no mapa da Ásia, com a representação do lago original dentro do retângulo, antes do início da seca registrada
E a mesma representação num mapa em escala maior, onde são observados na Ásia Central os rios que alimentavam o Aral antes das transposições: Rio Syr, ao norte; e Rio Amu, ao sul (clique para ampliar as imagens)
Comparativo com imagens de satélite que mostram a secagem gradativa o Aral entre 1977 e 2006
Seca gradativa representada em tons de azul entre1960 e 2000
Aral do Norte e Aral do Sul atualmente
O encolhimento do Mar de Aral é considerado o maior desastre ecológico
causado pelo homem no mundo. Com a seca gradativa e rápida, problemas
gravíssimos começaram a surgir. A pesca comercial local, que nos anos 80
sustentava cerca de 60 mil pessoas com a produção de 40 mil toneladas de peixe
por ano, está praticamente extinta.
Além do desemprego e das dificuldades econômicas geradas, a região do Aral
é extremamente poluida, o que gera gravíssimos problemas de saude pública. A
seca do Mar do Mar também já influencia nas mudanças climáticas locais, com
verões cada vez mais secos e invernos cada vez mais frios.
A poeira proveniente das tempestades de areia vindas do leito do lago seco,
carregada de agrotóxicos e outros produtos químicos, associadas à queima de
combustíveis fósseis, tem causado graves problemas respiratórios entre a
população da região.
Os soviéticos conseguiram
irrigar o deserto às custas do desastre ambiental, e hoje, sua ex-república, o Uzbequistão, é um
dos maiores exportadores de algodão do mundo.
Muitos dos canais foram mal construídos, permitindo uma evaporação e a consequente perda de até 75% da água transportada.
Em contrapartida, a então União Soviética afirmava que o Aral já estava naturalmente condenado, pois sua extinção ocorreria certamente com o passar do tempo, não sendo o desvio das águas dos rios que o alimentavam o fator determinante para o seu fim. Alguns especialistas soviéticos afirmavam que o Aral era um "erro da natureza", e que era óbvio que a evaporação do lago seria algo inevitável.
No verão de 2003, o sul do Mar de Aral estava
desaparecendo mais rápido do que o previsto. Nas
partes mais profundas do mar, as águas do fundo eram mais salgadas do que as do
topo, e ambas não se misturavam. Assim,
apenas a parte superior do mar foi aquecida no verão, e evaporou-se mais rapidamente
do que estava ocorrendo até então
Em 2004, a área da superfície do Mar de Aral era de apenas 17.160
quilômetros quadrados, ou 25% de seu tamanho original, havendo ainda um aumento significativo dos níveis de salinidade.
Em 2007, a área do Aral já tinha
diminuido para 10% do seu tamanho original, e a salinidade já era de 100 gramas
por litros de água (a salinidade original antes do desastre ambiental era de 35
gramas por litro).
Em outubro de 2003, o governo do
Cazaquistão anunciou um plano para construir uma barragem de concreto que
separa as duas metades do Mar de Aral (norte e sul).
A
barragem foi concluída em agosto de 2005 e, desde então, o nível da água do
Aral do Norte subiu um pouco e sua salinidade diminuiu. A
partir de 2006, uma pequena recuperação do nível do mar foi observada, possibilitando
uma modesta volta da atividade pesqueira na região do norte.
Um comparativo entre imagens de satélite mostram uma modesta recuperação no Aral do Norte: na imagem de baixo, o lago do norte em 2005 e antes da construção da barragem; e na imagem de cima, o mesmo lago um ano depois, em 2006, com a barragem já concluída. Nota-se que o processo destrutivo é muito mais rápido do que o observado durante a recuperação
Em 2008, o nível de água no Aral do Norte já havia subido 24 metros, o que
representa 50% de aumento em relação ao nível de água observado
antes da construção da barragem. O
Mar, que havia recuado quase 100 quilômetros ao sul da cidade portuária de Aralsk, está
agora a apenas 25 quilómetros da mesma.
Já o Aral do Sul, que fica no Uzbequistão, bem
mais pobre que o Cazaquistão, ao norte, continua abandonado à própria sorte.
Apenas o pequeno excedente de água do Aral do Norte, quando há, é permitido
fluir para o Aral do Sul.
O ocorrido com o Mar de Aral deixa claro que
obras de transposição como a do Rio São Francisco, no Brasil, embora de extrema
importância emergencial para a resolução da seca no Nordeste Brasileiro, devem ser
realizadas com minucioso planejamento e, principalmente, com estudos prévios
aprofundados sobre as consequências ambientais posteriores, a fim de que não se leve
vida e riqueza para uma região em função de impactos ambientais destrutivos e da aniquilação de outra.
O
dia 1º de abril é considerado por muitos o dia da mentira. Essa data,
porém, marcou para sempre a História do Brasil, em 1964.
Faltando 2 meses parao
Golpe Militar que depôs o presidente João Goulart completar 49 anos, este blog fará, em
duas edições, uma viagem pelas causas e consequências dos violentos Anos
de Chumbo; anos em que no Brasil foi abolido o direto democrático de
pensar, de ter ideologia e de ir e vir. Todos eram culpados até que se
provasse o contrário naqueles tempos.
As
articulações que mais tarde resultariam na derrubada do presidente
escolhido democraticamente pelo povo tiveram início uma década antes do
golpe que os militares insistem em chamar de revolução, apesar de jamais
terem ocorrido mudanças nas estruturas sociais e econômicas visando o
bem do povo durante o movimento político-militar que originou a Ditadura Brasileira.
Em
fevereiro de 1954, João Goulart era o Ministro do Trabalho de Getúlio
Vargas e foi afastado por um manifesto assinado por coroneis, depois de
aumentar o salário mínimo em 100%.
As atitudes de Jango, como era
popularmente conhecido, desagradaram os grandes empresários e os
militares conservadores de alta patente. Os coroneis que assinaram o
manifesto em 1954 eram os generais conspiradores, uma década depois, na
fria e chuvosa madrugada do dia 1º de abril do outono de 1964.
Com
a derrubada da República Velha, em 1930, o crescimento da
industrialização brasileira produziu um significativo aumento da classe
trabalhadora concentrada nos meios urbanos. O atendimento das
reivindicações dessa massa trabalhadora, visando sua aproximação com o
Estado, além do controle, da condução e da manipulação das aspirações
dos operários, era o chamado Populismo.
O
Populismo foi explorado politicamente por Getúlio Vargas, que o usava
principalmente na ideologia de seu segundo mandato (1951-1954), para
garantir a simpatia dos trabalhadores, mas também estimulava a oposição
dos grandes empresários e dos militares e políticos conservadores,
formadores da Elite Católica Conservadora Brasileira. Foi essa Elite que conspirou
para derrubar Vargas em 1954 e, como João Goulart era uma espécie de
herdeiro político do populismo getulista, também foi destituído da
Presidência em 1964 pela mesma Elite.
A
derrubada de Jango em 1954 e 1964 representava uma interrupção da
política populista de Vargas pela elite dominante e conservadora brasileira
João
Goulart chegou à Presidência da República depois que Jânio Quadros
renunciou, em 1961, sem que nunca tenha ficado claro o motivo. O fato é
que o Brasil havia se tornado aliado próximo dos Estados Unidos ao fim
da 2ª Guerra Mundial, em 1945, e os comunistas brasileiros passaram a
ser perseguidos desde então.
O Partido Comunista Brasileiro foi
classificado como fora da lei pelo governo brasileiro, que também rompeu
as relações diplomáticas com a União Soviética.
Nos
7 meses do governo de Jânio Quadros, que durou de fevereiro até agosto
de 1961, o Brasil reatou suas relações diplomáticas com o bloco
comunista internacional da época, ao se reaproximar da União Soviética e
do governo de Fidel Castro, em Cuba, o que desencadeou intensos
protestos do governo norte-americano.
Além disso, a elevação em 50% do
imposto sobre as importações dos produtos norte-americanos, e sobre os
investimentos dos lucros das companhias locais nos Estados Unidos,
bloqueava parte da acumulação de capitais, indo de encontro aos
interesses do imperialismo mundial e da classe dominante brasileira.
A polêmica figura de Jânio Quadros
A gota d’água que faltava para as pressões sobre o governo de Jânio Quadros chegarem a níveis insuportáveis foi
a condecoração do guerrilheiro Ernesto Che Guevara com a medalha da
Ordem Cruzeiro do Sul, oferecida por Jânio. Guevara foi, ao lado de
Fidel Castro, o principal nome da Revolução Cubana, em 1959.
Condecoração de Enesto Che Guevara ...
Ato que despertou a ira da oposição conservadora
A
condecoração dada ao revolucionário fez desabar uma tempestade
oposicionista sobre o governo de Jânio, vinda do Congresso Nacional e da
imprensa, liderada pelo jornalista Carlos Lacerda, então governador do
estado da Guanabara.
Lacerda, em rede nacional de TV, acusou Jânio
Quadros de estar idealizando um regime igual ao de Cuba para o Brasil. Diante
das pressões, Jânio Quadros renunciou na esperança de que, em função de
sua popularidade, fosse recolocado no poder pelo povo brasileiro, fato
que não aconteceu.
Para aonde vai Jânio Quadros? A famosa foto com o registro do ex-presidente após a renúncia
O
sucessor legal de Jânio, previsto pela Constituição, era o
vice-presidente João Goulart, que para 'piorar' ainda mais a situação,
estava visitando a República Popular da China Comunista.
A atuação
política de Jango, além do cunho Populista herdado de Getúlio Vargas,
era também identificada como comunista pelas forças conservadoras
brasileiras; sendo que, na União Soviética, o nome de Jango era citado
de forma simpática pelos jornais.
Alegando
motivos de segurança nacional, os ministros militares não aceitavam
João Goulart como presidente. Foi então promulgada a Emenda
Constitucional número 4, onde o Parlamentarismo foi instituído como novo
sistema de governo do Brasil, em 2 de setembro de 1961.
No
Parlamentarismo, Jango seria apenas chefe de Estado, e o comando
político do governo brasileiro ficaria a cargo de um primeiro-ministro e
do Conselho de Ministros. Restava ao presidente apenas uma posição
politicamente secundária no sistema parlamentarista adotado.
Jango
buscou o apoio da opinião pública para a realização de um plebiscito
onde o povo pudesse escolher entre os sistemas presidencialista e
parlamentarista. Em abril de1963, o presidencialismo foi restabelecido
pela escolha popular, numa proporção de 5 votos para 1 voto dado ao
sistema parlamentarista.Jango
conseguiu finalmente o poder de um presidente da República, e logo pôs
em prática as chamadas "Reformas de Base" (reforma administrativa,
reforma fiscal, reforma agrária e reforma bancária), que junto com a
taxa de inflação na casa dos 73,5%, em 1963, contribuíram para inflamar
os ânimos dos que se opunham a João Goulart.
O Presidente João Goulart
As
pressões sobre Jango vinham da Elite Conservadora Católica, a mesma que
colocara Getúlio Vargas no centro da crise que o levou ao suicídio, em
agosto de 1954, e a mesma Elite Conservadora e neoliberal que vendeu o
Brasil por meio de privatizações e, de quebra, ainda explora a massa
pobre da população, impedindo por meio da manipulação da opinião pública,
através do domínio da grande mídia, a possibilidade de mudanças
significativas no sistema econômico, social e educacional do Brasil
atualmente.
Os
pretextos que faltavam para o golpe contra a democracia brasileira ser
deflagrado aconteceram em duas ocasiões bem claras. Primeiro, o comício
realizado na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de
março de 1964; ocasião em que Jango assinou decretos de desapropriação
de áreas improdutivas localizadas às margens de rodovias e ferrovias, e
de nacionalização das refinarias de petróleo, além do monopólio do
controle estatal sobre a importação desse produto.
Naquela sexta-feira
13, Jango também deu um ultimato aos militares ultraconservadores: se
tentassem deflagrar um golpe de Estado, enfrentariam a esquerda
finalmente unida, pronta para o combate e apoiada na vontade do povo.
Jango ao lado da esposa Maria Teresa Goulart, durante o inflamado discurso ...
no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964
A
outra ocasião decisiva para o execução do Golpe Militar aconteceu entre
os dias 25 e 27 de março de 1964, quando 1200 marinheiros se reuniram
no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, e saíram em passeata
com quepes e golas virados para trás, na chamada Revolta dos
Marinheiros. O governo de João Goulart apoiou os marinheiros e foi
duramente criticado por oficiais das três forças armadas.
Em
30 de março, João Goulart discursou no Automóvel Clube do Rio de
Janeiro para uma platéia de 2 mil sargentos; entre eles, muitos dos
marinheiros revoltosos de alguns dias antes. Na ocasião, Jango também
respondeu às críticas dos oficiais. O então senador Amaral Peixoto
acompanhava as cenas pela TV de seu apartamento e disse em tom
profético: "O Jango já não é presidente da República."
No
dia seguinte, já na noite de 31 de março de 1964, o Golpe Militar
começou em Juiz de Fora, Minas Gerais, sob o rótulo de movimento
democrático contrário às ameaças comunistas.
Os militares de Minas logo
receberam apoio dos comandos do Exército em São Paulo, Rio de Janeiro e
Rio grande do Sul. Na madrugada do dia 1º de abril de 1964, a "procissão"
de tanques veio às ruas. O barulho das velhas lagartas que giravam
movimentando os carros de combate se confundia com o som dos motores dos
tanques e jipes verdes ocupados por soldados armados com grossos
calibres.
Parte da força naval dos Estados Unidos deslocou-se para a
costa brasileira, a fim de apoiar os golpistas caso houvesse guerra
civíl. Em caso de conflito, os americanos também estavam prontos para
reconhecerem imediatamente o novo governo militar golpista.
Na noite do dia 31 de março e madrugada do dia 1º de abril de 1964, os tanques tomaram as ruas e ...
na manhã do dia 1º de abril, o cenário das capitais brasileiras ...
era preenchido por carros de combate do Exército
No
dia 1º de abril, João Goulart fugiu de Brasília para Porto Alegre, na
tentativa de articular a resistência que jamais aconteceu. Jango
percebeu como seus conselheiros militares e as chamadas "esquerdas
radicais" estavam equivocados nas previsões relativas ao potencial de
resistência.
O povo brasileiro assistiu a tudo passivamente. A greve
geral convocada pelo CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) no dia 30 de
março não teve nenhuma adesão; trens e ônibus trafegaram normalmente
durante todo o dia 31 de março. Ninguém esboçou a mínima resistência.
Jango
estava sozinho e, já no dia 2 de abril de 1964, fugiu para o interior
do Rio Grande do Sul, onde se refugiou em uma fazenda perto da fronteira
com o Uruguai. Em 4 de abril, o já Ex-Presidente João Goulart pedia
asilo político naquele país. Começavam assim, os Anos de Chumbo: duas
décadas em que o cenário político brasileiro foi ocupado por uma das
mais violentas e repressoras ditaduras militares da América Latina.
Segue o trecho de uma carta enviada do exílio por João Goulart aos brasileiros:
Dirijo-me
ao povo brasileiro nesta hora de angústias e sofrimentos. Deposto por
um golpe de força, observo, entristecido, cair a máscara do grupo
militar que assaltou o poder. Instalaram um governo ficticiamente
constitucional e, desde a quartelada, nenhuma medida a favor do país foi
posta em prática, nenhuma perspectiva foi aberta pela ditadura para a
solução dos graves e complexos problemas com que vem lutando o Brasil.
Tudo o que tem feito parece revelar o deliberado propósito de agravar o
sofrimento do povo. (...)
Os
grupos estrangeiros possuidores de moeda forte gravitam em torno das
empresas nacionais para adquiri-las a preços vis. E os industriais
brasileiros acabam cedendo, com a agravante de deslocar para o exterior o
fruto daquelas vendas, à falta de condições para nossos investimentos
no Brasil. Temos, desse modo, o quadro desolador de desnacionalização e
descapitalização do país .(...)
As
reformas de base, preconizadas pelo meu governo e indispensáveis à
demarragem de um país subdesenvolvido, são hoje apresentadas de forma
caricatural por homens superados política e historicamente e que tentam
empulhar a opinião pública brasileira, suficientemente esclarecida e
politizada para não aceitar tais mistificações. (...)
Jango sendo fotografado pela esposa Maria Teresa, durante o isolamento político do exílio no Uruguai
Do
exílio no Uruguai, Jango tentou inutilmente articular sua resistência
política, até morrer de enfarte na Argentina, em 1976. Existem rumores
de que Jango tenha sido assassinado por agentes da Operação Condor, que
foi um intercâmbio entre ditaduras militares da América do Sul (Brasil,
Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai), apoiadas pela CIA
(Agência Central de Inteligência do Estados Unidos), para aniquilarem
seus opositores.
Na
edição do jornal Folha de São Paulo, publicada em 27 de janeiro de 2008,
foi publicada uma matéria com a declaração do ex-agente uruguaio Mario
Neira Barreiro, onde ele afirma que João Goulart foi envenenado por
ordem do então delegado do DOPS (Departamento da Ordem Política e
Social), Sérgio Fleury. A autorização, segundo Neira, teria partido do
presidente brasileiro na época, General Ernesto Geisel (1908-1996).
João
Goulart já estava fora da presidência do Brasil no dia 1º de abril de
1964. O cargo foi assumido pelo líder da Câmara dos Deputados, Ranieri
Mazzilli, mas para o Golpe Militar ficar "completo", e fazer jus ao nome,
era preciso preencher a presidência da República com um general. Uma
semana depois, o comando do Golpe decretou o primeiro de uma série de
atos institucionais que seriam os principais instrumentos de repressão e
imposição da ditadura militar brasileira.
O
Ato Institucional Número 1 (AI-1) cerceou o direito do povo votar para
eleger o novo presidente. Coube ao Congresso Nacional, coagido é claro,
escolher no dia 15 de abril de 1964, o chefe do Estado-maior do
Exército, General Castello Branco, para ocupar o lugar que João Goulart
deixou ao ser deposto.
No mesmo "pacote" de medidas do (AI 1), ocorreram
cassações de mandato e o fechamento de instituições consideradas
"subversivas", como o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), as Ligas
Camponesas e a UNE (União Nacional dos Estudantes). Os líderes dessas
organizações foram presos e mandados para o exílio.
Curiosamente,
o ex-presidente Juscelino Kubitskchek, que governou o Brasil entre 1956
e 1961, apoiou a escolha de Castello Branco para a presidência. Por ter
promovido Castello ao posto de general-de-divisão quando governava o
Brasil, Juscelino acreditava que o General o apoiaria nas eleições
presidenciais que estavam previstas para 1965. Porém, dois meses depois
de ser escolhido como novo presidente, Castello Branco cassou os
direitos políticos de Juscelino Kubitskchek, que foram suspensos por 10
anos.
General Castello Branco: primeiro presidente da Ditadura Militar
O
mandato do general Castello Branco deveria durar de 15 de abril de 1964
até 20 de janeiro de 1966, mas foi estendido até 15 de março de 1967.
Estava garantido assim, o poder nas mãos da chamada Linha Dura, que
defendia a manutenção inabalável das características da "Revolução",
além de acabar com qualquer vestígio remanescente da ideologia do regime
democrático deposto.
Em
27 de outubro de 1965, foi promulgado o Ato Institucional número 2
(AI-2), que deu poderes excepcionais ao presidente, como cassar mandatos
políticos e decretar estado de sítio sem autorização do congresso. Alem
disso, o AI-2 acabou com os partidos políticos existentes e formalizou o
modelo de eleição indireta para presidente, sem participação do povo na
escolha. No lugar dos antigos partidos, nasceram apenas dois com a
permissão da Ditadura Militar: A Arena (Aliança Renovadora Nacional),
que apoiava o governo, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de
oposição à Ditadura.
No
dia 3 de outubro de 1966, foi realizada eleição indireta no Congresso
Nacional para a escolha do sucessor de Castello Branco. Sem a presença
de nenhum integrante do MDB, que boicotou a escolha já definida antes
mesmo da votação, os representantes da ARENA elegeram o general Costa e
Silva como novo presidente do Brasil.
Costa e Silva: segundo general-presidente, que pôs em vigor o AI-5
Costa
e Silva assumiu em 15 de março de 1967, ano em que também entrou em
vigor uma nova Constituição, na qual figurava a Lei de Segurança
Nacional e a Lei de Imprensa, além da garantia de poderes praticamente
ilimitados ao novo presidente. Com isso, a oposição passou a questionar a
Constituição, que afirmava ser a "formalização da Ditadura".
Surgiram
então vários protestos em diversas partes do Brasil. O Centro da cidade
do Rio de Janeiro foi o cenário de vários desses protestos. Na tarde de
28 de março de 1968, policiais militares foram chamados para reprimir
um protesto de estudantes perto do aeroporto Santos Dumont. Os
manifestantes reagiram com pedradas. No meio da confusão generalizada, o
estudante Edson Luiz de Lima Souto foi baleado no peito por um tiro
disparado por um dos policiais que agiam contra os manifestantes.
O
corpo de Edson Luiz foi levado para a Câmara dos Vereadores e colocado
sobre uma mesa. 50 mil pessoas acompanharam o enterro no dia seguinte.
No dia 4 de abril de 1968, depois de uma missa em memória do estudante
morto, foi organizada a chamada Passeata dos Cem Mil, que foi liderada
por personalidades como Chico Buarque, Tonia Carrero e Clarice
Lispector.
Passeata dos Cem Mil: as manifestações ...
e a resistência contra o regime acabaram desencadeando o aumento da violência por parte da repressão
Na
mesma proporção da grandiosa passeata dos Cem Mil, crescia a violência
policial do regime. Tornaram-se rotina as invasões de universidades e as
prisões de estudantes. Em outubro de 1968, foi organizado um congresso
para a reestruturação da extinta União Nacional do Estudantes (UNE).
Porém, a repressão mostrou seu poder outra vez ao acabar com o
congresso, prendendo seus participantes.
Qualquer manifestação contrária ao regime significava espancamento e prisão
O
clima de instabilidade pública levou a linha dura da Ditadura ao ponto
de optar pelas articulações de atitudes repressivas extremas, expressas,
por exemplo, pela atitude do brigadeiro João Paulo Burnier de tentar
transformar o Para-Sar, que é uma instituição da Aeronáutica responsável
por salvamentos e resgates, num instrumento terrorista para eliminar
pessoas contrárias ao Regime Militar. (Fonte: Jornal do Brasil).
A
esquerda também se organizava, representada pela ala radical do
Movimento Estudantil. Apesar de o Partido Comunista Brasileiro ter sido
contra a luta armada, surgiram diversas organizações de resistência cujas ideologias eram norteadas pela socialização comum dos mecanismos públicos, políticos e habitacionais.
Em
setembro de 1968, o deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB, fez
um discurso pedindo ao povo que não fosse às festividades do Dia da
Independência, num ato de protesto ao Regime Militar. Ofendidos, os
militares pediram ao governo para processar o deputado, porém, o pedido
foi negado pelo congresso, em 12 de dezembro de 1968. No dia seguinte,
era entregue ao Conselho Nacional de Segurança, o texto do Ato
Institucional número 5 (AI-5), que é considerado o golpe dentro do
golpe.
No
AI-5, o Congresso Nacional foi dissolvido e posto em recesso por tempo
indeterminado. A liberdade de qualquer pessoa podia ser vigiada, havia a
proibição de determinados lugares serem frequentados, a suspensão de
direitos políticos, a proibição de qualquer direito público ou privado.
Ir e vir perdeu o sentido prático. Toda e qualquer manifestação de
oposição ao Regime Militar estava severamente proibida. A imunidade parlamentar
foi extinta, e entraram em vigor a prisão perpétua e a pena de morte.
A
prática da tortura e do assassinato de opositores foi regulamentada e
institucionalizada. O Exército criou a Operação Bandeirante (Oban),
chamada depois pelo temido nome de DOI-Codi, localizada na rua Tutóia,
em São Paulo. No Rio de Janeiro, o endereço das torturas e dos
assassinatos ficava no quartel da Polícia do Exército (PE), à rua Barão
de Mesquita, na Tijuca. Militares do Exército e policiais comuns se
uniam para a prática da tortura, sendo pendurando suas vítimas no
pau-de-arara, sendo desferindo-lhes potentes choques por todo o corpo,
incluindo regiões genitais.
O
general Emílio Garrastazu Médici assumiu a presidência em 30 de outubro
de 1969, num cenário em que não havia mais as manifestações públicas
estudantis, e nem a oposição dos políticos do MDB. A oposição ao Regime Militar, seja ela radical ou moderada, estava severa e totalmente proibida.
Na
contra mão do radicalismo das torturas e proibições ocorridas a partir
do AI-5, surgiram organizações de guerrilha da Esquerda, cuja prática da
luta armada, ou sua tentativa, foi a principal característica.
Sob
influência do romantismo da Revolução Cubana (1959), que tangia a figura
do guerrilheiro com uma aura mística, surgiram as primeiras
organizações brasileiras de guerrilha urbana: A ALN (Aliança Libertadora
Nacional), liderada por Carlos Marighela, o MR-8 (Movimento
Revolucionário 8 de Outubro), dia da morte de Che Guevara na Bolívia, e a
VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), liderada pelo ex-capitão do
Exército, Carlos Lamarca. Para essas organizações, quase totalmente
formadas por jovens estudantes, a luta armada era a única forma de
derrubar a Ditadura Militar.
Carlos
Lamarca ainda como capitão do Exércido, dando instruções de tiro para
funcionárias bancárias. Curiosamente, a VPR (Vanguarda Popular
Revolucionária), liderada por Lamarca, executaria posteriormente
assaltos bancários para financiar suas ações de combate armado à
ditadura militar. Lamarca também desviava fuzis do Exército Brasileiro
para serem usados nas atividades de guerrilha da VPR
"LAMARCA, O CAPITÃO DA GUERRILHA" ( FILME COMPLETO)
TERRORISTA LAMARCA PROMOVIDO A GENERAL - DEP JAIR BOLSONARO NA TV CÂMARA
Os
grandes erros dessas instituições de oposição à Ditadura foram a fragmentação das forças, sem
uma unidade e um comando nacional forte, e a falta de experiência de
seus integrantes com as armas de fogo, tão familiares e usadas de forma
costumeira pelos integrantes da Ditadura Militar e seus soldados
defensores.
A
principal ação da Guerrilha urbana foi o seqüestro do embaixador
norte-americano Charles Elbrick, realizado em 1969, pela Aliança
Libertadora Nacional (ALN) e pelo Movimento Revolucionário 8 de outubro
(MR-8). O embaixador foi trocado pela soltura de 70 presos políticos,
relacionados numa lista publicada nos veículos de comunicação da época.
70 presos políticos prestes a deixarem o Brasil em janeiro de 1971
A
incisiva violência da Ditadura Militar foi o bastante para acabar com a
luta armada contra o regime. Os chefes das organizações revolucionárias
foram caçados e mortos um a um. Carlos Marighela foi eliminado em 1969, além de Lamarca, o último líder guerrilheiro de expressão nacional, morto no sertão baiano em setembro de 1971.
Para
o jornalista e Ex-Deputado Federal Fernando Gabeira, que integrava o MR-8 e participou da ação
de sequestro do embaixador norte-americano, a concentração das
organizações armadas no meio urbano foi um erro:
"A
revolução chinesa, que influenciou a guerrilha do Araguaia, via no
camponês um sujeito revolucionário e propunha o cerco das cidades pelo
campo. O correto, então, era sacudir o interior do país, formar um autêntico exército revolucionário, que cercaria as cidades. Estas,
envoltas em sua crise, e com a ajuda de pequenas insurreições, acabariam
caindo de maduras.
A
esquerda brasileira era, na sua esmagadora maioria, composta de quadros
urbanos. Sua grande e quase impossível tarefa era instalar-se no
interior, adaptar-se ao terreno e conquistar corações e mentes. Algumas
ações urbanas foram realizadas com êxito, mas a passagem mesmo da cidade
para o campo, que era o sonho de muitos, nunca se consumou de todo.
Talvez
seja por isso que um documento da época tenha concluído, com entusiasmo
religioso, que a morte de Carlos Lamarca no interior da Bahia tinha um
aspecto positivo: pelo menos já estamos morrendo no campo", Disse Gabeira.
Fernando Gabeira
Outra
ação característica da Ditadura Brasileira após o AI-5 foi a censura
imposta aos veículos de comunicação. Em toda redação de jornal era comum
a figura do censor, que trabalhava para a repressão, e analisava cada
matéria antes da publicação da edição do dia seguinte. Muitas verdades
não podiam sair e, jornais como O Estado de São Paulo
publicavam receitas nos lugares das matérias censuradas, como forma de
protesto diante das proibições que ceifavam a liberdade de imprensa e o
dever de publicação da verdade.
Receitas de doces e salgados nos lugares das matérias censuradas
Ainda em 1968, numa famosa e inesquecível primeira página do Jornal do Brasil,
o editor Alberto Dines usou um certo jogo de cintura para não chamar a
atenção dos censores ainda inexperientes. O espaço dedicado às
informações do clima na primeira página apresentou turbulências e
temporais de bom tamanho como previsão do tempo.
Outros
jornais da época publicavam figuras de monstros nos lugares das páginas
que deveriam ter sido ocupados por matérias censuradas. Peças de
teatro, músicas, filmes e todos os tipos de manifestações culturais
sofreram intensa censura nos Anos de Chumbo. O filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", do
cineasta Bruno Barreto, foi acusado de fazer parte de uma estratégia
comunista para abalar os costumes morais da sociedade e da família
brasileira.
No
campo econômico, político e social, a Ditadura Militar Brasileira foi
caracterizada pela exclusão da maioria. A má distribuição de renda e sua
concentração nas mãos de poucos foi o retrato administrativo da Ditadura. O golpe militar de 1964 e as administrações posteriores da Ditadura foram um ajuste político e econômico do Brasil no jogo dos
novos interesses do capitalismo internacional.
Isso
é bem caracterizado pela escolha dos primeiros ministros da área
econômica da ditadura militar, todos eles vinculados ao capital
internacional ou às empresas multinacionais: Roberto Campos e Otávio
Golveia de Bulhões, respectivamente ministros do Planejamento e da
Fazenda do governo Castello Branco por exemplo.
As
medidas adotadas pelos ministros de Castello Branco foram tomadas como
se no Brasil houvesse apenas grandes empresas. As pequenas e médias,
geralmente de propriedade de brasileiros, quebraram economicamente ou se
mantiveram com extrema dificuldade.
Para os
trabalhadores, o FGTS (Fundo de Garantia Sobre Tempo de Serviço)
substituiu a estabilidade no emprego que era adquirida por um
trabalhador depois de dez anos trabalhando no mesmo lugar. O FGTS
promoveu a "rotatividade da mão de obra", onde os mecanismos de dispensa
de trabalhadores e a contratação de outros com salários menores foi
facilitada.
O chamado "milagre econômico" da Ditadura Militar foi baseado no aumento vertiginoso da Dívida Externa
para a obtenção de tecnologia estrangeira, e na concentração desigual
para promover o consumo de produtos industrializados.
Numa
comparação do aumento da dívida externa entre 1940 e 1964, que passou
de 2 para 2,5 bilhões de dólares, num crescimento de 25%, é alarmante o
aumento da mesma dívida verificado entre 1964 e 1978, que passou de 2,5
para 40 bilhões de dólares, num crescimento de 1500%.
Rodovia Transamazônica: faraônico projeto da Ditadura que ficou famoso por ligar o "nada ao lugar nenhum".
Já
o mercado de consumo dos produtos industrializados produzidos no Brasil
(televisões, rádios, geladeiras e automóveis) era formado por cerca de 5
milhões de pessoas de altíssima renda (a chamada elite burguesa), e
mais 15 milhões de pessoas que puderam participar do "consumismo"
mediante extremo sacrifício, graças à expansão do crédito ao consumidor.
Esse mercado de consumo excluiu o restante da população, cerca de 80
milhões de brasileiros das classes menos favorecidas.
O
modelo econômico da Ditadura Militar Brasileira pode ser definido então
como uma "industrialização excludente" que endividou o Brasil no
exterior de forma nunca antes observada na história do País.
O
general Ernesto Geisel assumiu a presidência em 15 de março de 1974,
época em que o "Milagre Econômico" da ditadura entrou em declínio devido
aos esgotamentos internos dos limites de crescimento, e às mudanças do
mercado internacional.
A crise econômica do regime se somou às pressões
pela abertura política e pela anistia aos exilados no exterior. Um
triste fato foi marcante na guinada que levou o Brasil, de forma lenta e
gradativa é claro, de volta aos moldes democráticos de liberdade.
O
jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, então diretor de jornalismo da TV
Cultura de São Paulo, foi preso e levado às masmorras de tortura do
DOI-Codi, na Rua Tutóia, em São Paulo, onde foi cruelmente assassinado
sob acusações de ser militante comunista, e porque o telejornal da TV
Cultura era o único que veiculava matérias com assuntos verdadeiros
sobre os fracassos econômicos e sociais da Ditadura Militar.
O
comandante do II Exército, general Ednardo D’ávilla Mello,
representante da Linha Dura, divulgou uma nota um dia após a morte de
Vlado, em 26 de outubro de 1975, afirmando que o jornalista havia se
suicidado. Numa das fotos da cena da morte, publicada posteriormente, o
corpo enforcado encontra-se de joelhos, indício que reforçou a
comprovação de uma suposta armação da cena do suicídio, depois que Vlado
foi assassinado durante as sessões de tortura.
O
cinto usado no suposto "enforcamento suicida" não podia ser portado por
nenhum prisioneiro do DOI-Codi. Foram observadas também duas marcas de
enforcamento, o que remete à hipótese mais provável de estrangulamento.
Dois momentos de Vlado no DOI-Codi: primeiro atordoado pela humilhação e pela tortura ...
e no suposto "enforcamento suicida"
O
quinto e último presidente da Ditadura Militar, General João Baptista
Figueiredo, assumiu a Presidência em 15 de março de 1979 e, até 15 de
março de 1985, pôs em prática a lenta conclusão da abertura política
iniciada pelo General Geisel, no governo anterior.
General João Baptista Figueiredo
Figueiredo
teve que enfrentar o grupo de militares da Linha Dura, que se opunham
ao processo de abertura. Esses militares executaram o chamado
"Terrorismo de Direita", a fim de culpar uma suposta esquerda perigosa,
que ameaçaria tomar o poder em caso de abertura. Esses militares da
linha dura também temiam revanchismo contra eles, depois que o Estado de
direito e a democracia fossem restaurados no Brasil.
Os
atos terroristas tiveram início em 1980, quando em São Paulo e Minas
Gerais bancas de jornal e revista foram incendiadas. Em julho de 1980,
durante a visita do papa João Paulo II ao Brasil, O jurista Dalmo
Dallari, que discursaria na presença do papa, foi sequestrado e
espancado por desconhecidos.
Em
30 de abril de 1981, ocorreu a mais violenta ação terrorista da Direita. Enquanto 20 mil pessoas assistiam quietas a um show musical
promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade), uma potente bomba
detonou no estacionamento, sobre o colo do sargento do Exército
Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora. O capitão Wilson
Machado, que dirigia o automóvel Puma de chapa "fria" em que ambos se
encontravam, foi gravemente ferido mas sobreviveu. Uma segunda bomba foi
colocada na casa de força do estacionamento, mas não explodiu.
O
carro em que os dois militares estavam ficou completamente destruído,
mas o atentado do Rio Centro jamais foi totalmente esclarecido
Apesar
da notória evidência de que os militares vitimados pela bomba eram os
terroristas, um relatório oficial divulgado pelo Exército apresentou os
dois como vítimas de terroristas desconhecidos. O caso foi encerrado sem
que os responsáveis jamais fossem punidos.
Em
1984, a campanha pelas eleições diretas para a escolha do novo
presidente reuniu 1 milhão de pessoas no dia 10 de abril, no Rio de
Janeiro, e 1 milhão de pessoas em 16 de abril, em São Paulo. Toda essa
mobilização era em prol da aprovação da emenda Dante de Oliveira pelo
Congresso, que restabeleceria a eleição direta para presidente da
República.
1 milhão de pessoas reunidas na Candelária, no Rio de Janeiro, em 1984, durante o Comício das Diretas
Em
25 de abril de 1984, o PDS, presidido por José Sarney, foi fiel à
ditadura e a emenda Dante de Oliveira acabou rejeitada pelo Congresso
Nacional. Em novembro de 1984, a eleição indireta para presidente,
realizada por meio de votação interna no Colégio Eleitoral, escolheu o
civil Tancredo Neves, do PMDB, como novo presidente do Brasil.
Tancredo
derrotou o candidato do PDS, Paulo Maluf, na disputa. Em 14 de março de
1985, um dia antes de sua posse, Tancredo foi submetido a uma operação
às pressas no Hospital de Base de Brasília. Complicações se sucederam e o
presidente foi operado 7 vezes. Depois de 39 dias internado, Tancredo
Neves faleceu em 21 de abril de 1985.
Tancredo Neves
José Sarney
Ironicamente,
a "Nova" República", como Tancredo Neves chamou o período que teria
início com seu mandato, acabou tendo o vice de Tancredo, José Sarney,
como seu primeiro presidente. O mesmo Sarney que liderou, em abril de
1984, a rejeição da emenda que propunha a escolha do novo presidente
pelo povo. Começava ai, de forma curiosa e inesperada, uma nova fase da
História do Brasil, com seus mensalões, propinas e getons; um Brasil do literalmente "Você Sabe Quem Eu Sou!"