domingo, 13 de janeiro de 2013

O CAFÉ NO CORPO HUMANO





Por Cássio Ribeiro

O primeiro estímulo do café sobre o corpo humano ocorre através do olfato. No momento em que os grãos são torrados, ou durante o preparo do café, quando o pó entra em contato com a água quente, várias substâncias voláteis presentes no café, como proteínas, aminoácidos, lipídeos e açúcares, formam quase mil compostos que saem pelo ar espalhando o original e inconfundível cheiro convidativo da bebida.



Embora o café também apresente zinco, ferro, magnésio e potássio em sua composição, a cafeína é a principal responsável pelos efeitos da bebida sobre o corpo humano.

 

Assim como a teofilina no chá, a teobromina no cacau e a cocaína na folha de coca, a cafeína também pertence ao grupo dos alcalóides vegetais, que são estimulantes do sistema nervoso central chamados de xantinas, responsáveis por estados de alerta de curta duração nos indivíduos.






Separada dos grãos de café, a cafeína pura tem o aspecto de um pó branco, amargo e extremamente solúvel em água. A estrutura molecular da cafeína é muitíssimo parecida com a da adenosina, que é uma substância natural do cérebro liberada pelos neurônios.



Como é muito parecida com a adenosina, a cafeína ocupa seu lugar na ligação com os neurônios, impedindo que a atividade elétrica das células cerebrais fique lenta. "Para alguns indivíduos, a cafeína está relacionada com a melhora dos níveis de atenção, sensação de bem-estar e aumento da disposição", explica Maria de Fátima Ferreira, nutricionista do INCOR (Instituto do Coração) de São Paulo.




No geral, as reações apresentadas por quem ingere a cafeína são a melhora da atividade intelectual, clareza do raciocínio, aumento da velocidade das associações de idéias, exaltação das fantasias, sensação de bem-estar, agilidade no tempo de reação e reflexo, além da redução da sonolência e da fadiga. O pico dos efeitos da cafeína ocorre entre 30 e 60 minutos após a ingestão, e pode durar entre 3 e 10 horas.




O bebedor habitual de café tem o organismo adaptado, por meio da tolerância, às alterações que a bebida causa no equilíbrio natural do corpo. Sendo assim, para sentir os efeitos dos estímulos da cafeína sobre sua personalidade, seria interessante ficar sem consumir café por um mês.






Ficando sem beber café por cerca de um mês, o indivíduo então poderá perceber que suas constantes oscilações de humor — ora motivado, cheio de energia, alegre, hilário e propenso a longas conversações; ora desanimado, às portas da depressão, para alguns, e sem vontade de conversar — são efeitos das várias doses diárias de café ingeridas por ele.



Para os dependentes da cafeína, a síndrome de abstinência, que se instala com a interrupção do uso e é caracterizada por mal-estar, dores de cabeça e irritabilidade, é passageira e dura até que o organismo se adapte novamente à condição de funcionamento natural sem os estímulos da cafeína.



Para os indivíduos não habituados à ingestão da cafeína, poderá ocorrer a intoxicação aguda caso as doses diárias sejam exageradas. Tal intoxicação será caracterizada por inquietação, nervosismo, excitação, insônia, rubor facial, rapidez no pensamento, alterações digestivas, contrações musculares, taquicardia e, em alguns casos, até arritmia cardíaca.
  

Para os atletas, principalmente os de maratona, os treinos condicionam o cérebro a produzir endorfina, que é uma substância responsável pelo bem-estar e pela promoção do bom humor. 



Essa endorfina produzida durante os exercícios também age como uma forma de gratificação sobre o corpo, e possibilita aos atletas treinados continuarem correndo mesmo após seu estágio máximo de cansaço, o que para um não atleta representaria parar imediatamente o exercício por ação da fadiga.



Se os atletas consumirem uma dose mínima diária de café (4 xícaras), os ácidos clorogênicos presentes na bebida exercerão um bloqueio sobre os receptores cerebrais que são estimulados pela endorfina. Desta forma, motivado pelo bloqueio promovido pelo café, o cérebro aprende a aumentar a produção de endorfina que estimula, num nível mais alto, o atleta a prosseguir durante a atividade física.








Treinando assim, os atletas acabam condicionando o cérebro contra uma resistência de absorção da endorfina, ocasionada pelo café. Logo, quando esta resistência for cessada, com a interrupção da ingestão do café, o cérebro estará condicionado a produzir mais endorfina, sem que haja qualquer resistência na absorção de toda ela pelo organismo.




A performance desses atletas poderá ser melhorada significativamente durante uma prova de maratona, sem que exista o "doping"; apenas com o aumento da capacidade natural do corpo de ir mais além, estimulado pela absorção integral de uma alta dose de endorfina. Porém, o Comitê Olímpico Internacional desclassifica os atletas que apresentam altas doses de cafeína no sangue durante a realização das provas.




Nas características relativas à prevenção de doenças, o café possui pontos positivos estabelecidos pelas comunidades científicas. Estudos feitos em pessoas sem qualquer doença, em países europeus e nos Estados Unidos, demostraram que, em períodos que variam entre 8 e 15 anos, a ingestão diária de café reduz os riscos de aparecimento do diabetes tipo 2 (não hereditário e que se manifesta na fase adulta), em relação aos indivíduos que não bebem café.




Foi constatado que o diabetes era ainda mais raro, quanto maior fosse a quantidade de café ingerido. Indivíduos que tomavam mais de 3 xícaras por dia (150ml) apresentavam menor índice de desenvolvimento da doença. "Por conta das pesquisas, podemos dizer que o café, ao que tudo indica, ‘protege’ as pessoas do diabetes", afirma o diretor da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do INCOR, Luiz Antônio Machado César.




O médico do INCOR lembra que pesquisas realizadas em países escandinavos há alguns anos, mostraram que o café "podia causar infarto do coração", porém, Luiz Antônio esclarece que naquela região o café e fervido e tomado na água sem filtrar, ao estilo do café árabe. "Estudos mais recentes são bastante claros. Não existe o risco do café ocasionar infarto. Ele não protege diretamente, mas também não faz mal", garante o médico.



 



Quanto à depressão, alguns especialistas garantem que é menor a incidência de depressão e dependência química em pessoas que consomem café diariamente. "Isso se dá devido à cafeína e ao ácido clorogênico que atuam nas células nervosas e evitam que os componentes das drogas (lícitas e ilícitas) proporcionem a sensação caraterística de prazer", explica Darcy Roberto Lima, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.




O professor Darcy Lima, que acompanhou por uma década 106 mil estudantes de 10 a 20 anos em seis estados brasileiros, é especialista na bioquímica do café e entusiasta de suas propriedades nutricionais e farmacêuticas, sendo defensor da obrigatoriedade do café com leite na merenda escolar.



 
Na década de 1990, o professor Darcy acompanhou em regiões produtoras de café do Brasil, grupos de estudantes e constatou que os índices de depressão e obesidade entre os pesquisados eram muito menores do que em regiões onde alimentos calóricos e gordurosos predominam. "Como a obesidade é um dos fatores que pode determinar o desenvolvimento do quadro de diabetes, o café atuaria desde a infância como preventivo do problema", explica o médico.




Em relação à quantidade, os especialistas são unânimes ao afirmarem que não é bom exagerar. Eles afirmam que podem ser ingeridas até 4 xícaras de café por dia, dos 18 aos 65 anos, e, após essa idade, até 3 xícaras diárias. Acima desse limite, o café pode fazer mal, como qualquer outro alimento ingerido em excesso. Outra recomendação é a de que o café seja bebido durante o dia, a fim de se evitar a insônia.



O café deve ser consumido com cautela por gestantes, principalmente aquelas que são mais sensíveis à sua ação, já que possivelmente a ingestão de café ocasione contrações do útero, aumentando o risco de aborto espontâneo.




Dos tempos em que crescia selvagem nas montanhas africanas da Etiópia, há mais de 1500 anos, até os dias atuais, onde as prateleiras dos supermercados oferecem grande variedade de marcas, opções de consumo e até de sabores, o café, em meio aos seus prós e contras, segue absoluto e presente entre as opções de degustação nos quatro cantos do mundo. Aprecie com moderação.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O CAFÉ NA MORAL DA HISTÓRIA





Por Cássio Ribeiro

A particularidade do princípio ativo estimulante da cafeína está presente no primeiro registro histórico conhecido sobre o café: Estamos no século 6 da era Cristã, há cerca de mil e quinhentos anos atrás, nas montanhas da Etiópia, em pleno nordeste da África. 

 
Lá, vários arbustos repletos de pequenas frutinhas vermelhas crescem selvagens no meio das pastagens das ovelhas. Um pastor chamado Kaldi começou a perceber que suas ovelhas ficavam saltitantes, loucas e felizes, parecendo "eletrificadas", todas as vezes em que comiam as tais frutinhas penduradas naqueles arbustos.


O rebanho de ovelhas também demonstrava disposição para percorrer muitos quilômetros em íngremes terrenos, após a ingestão das tais frutinhas.
  


O pastor Kaldi decidiu então comer algumas daquelas frutas e ficou estimulado e agitado como seus animais. Um frade observara o fato e, classificando as frutinhas como "coisas do demônio", resolveu levar algumas delas para serem exorcizadas. Jogou-as na fogueira e, subitamente, um doce e inconfundível aroma tomou conta dos ares de seu monastério.


 
O frade, assustado com o ocorrido, despejou água sobre as frutinhas torradas. Pronto, acabava de ser preparado o primeiro cafezinho da história.


A partir de então, o café seguiu uma longa saga histórica que o levou a tornar-se o mais popular e principal estimulante do sistema nervoso central consumido pela humanidade.




Os árabes dominaram, nos séculos 8 e 9, a região onde o café crescia selvagem em meio a vegetação natural, na atual Etiópia. Foram eles os primeiros bebedores, alterando o costume tão comum entre os pastores de ovelhas da região, que mascavam diretamente as já apreciadas frutinhas avermelhadas estimulantes.


Os árabes passaram a controlar de forma exclusiva o cultivo dos pés de café. Era proibido aos estrangeiros chegarem perto das plantações, que os árabes protegiam com a própria vida.


As sementes ou grãos de café só eram comercializados com outros povos depois de estarem sem fertilidade, o que garantia aos árabes o monopólio da venda do produto tão apreciado no mundo conhecido da época. Uma lei árabe de 1475 garantia que qualquer mulher poderia pedir o divórcio, caso o marido não fosse capaz de dar-lhe uma certa quantidade de café todos os dias.




O próprio nome café tem origem na palavra árabe "qahwa", que significa vinho. Sendo assim, o café ficou conhecido como o "vinho da arábia" quando chegou à Europa no século 14, por ocasião da invasão árabe naquele continente.
  


No século 17, o café já era consumido em larga escala na Europa, mas só os árabes vendiam o produto. Italianos, alemães e franceses tentavam sem sucesso, desenvolver o cultivo da planta do café.



Foram os holandeses que conseguiram desenvolver as primeiras mudas nas estufas do Jardim Botânico de Amsterdam. O café passava então, do cultivo ao consumo, a fazer parte da vida diária dos europeus.


Outros países buscavam o desenvolvimento da técnica de plantio, a fim de obterem também os grandes lucros gerados pela comercialização do produto.

 Artefatos árabes utilizados na moagem e no preparo do café


Os franceses também conseguiram dominar o plantio, a partir de uma muda proveniente de Amsterdam. Logo, vários países europeus dominaram a técnica de produção do café e, com as descobertas de novas colônias na África e nas Américas por meio do desenvolvimento das navegações européias no século 15, o café chegou a Cuba, Porto Rico, Guianas e Suriname, de onde foi trazido para o Brasil.


O sargento-mor Francisco de Mello Palheta foi enviado ao Suriname com a incumbência de trazer a primeira muda de café para o Brasil. Palheta adquiriu a confiança da esposa do governador da Caiena, capital do Suriname, e recebeu dela clandestinamente, uma pequena muda da planta café arábica.



O brasileiro trouxe a pequenina planta para o Brasil escondida na bagagem. Chagava ao país, precisamente em Belém do Pará, no ano de 1727, a primeira muda do produto que revolucionaria a estrutura econômica colonial brasileira pouco tempo depois.



O café logo se espalhou pela Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo, pois as condições climáticas brasileiras proporcionavam o fácil desenvolvimento da planta. O produto passou a ser o símbolo principal da economia brasileira e seu cultivo foi realizado apenas com recursos nacionais, gerando riquezas de forma independente, a partir das plantações dentro do Brasil Colônia.



No final do século 18, o Haiti, que era colônia francesa e o principal produtor e exportador de café do mundo, foi arrasado pela crise gerada em função da guerra de independência contra a França. Foi a brecha para o Brasil aumentar a produção e a exportação do produto.



Durante todo o século 19, e boa parte do século 20, o café foi a grande riqueza absoluta brasileira, responsável pelo desenvolvimento do país e pela sua participação no comércio internacional.



Inicialmente, o norte do Paraná, o sul de Minas Gerais e a região do Vale do Paraíba Paulista foram os locais que mais se destacaram. No Vale do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, o café possibilitou o desenvolvimento de cidades como Guaratinguetá e Taubaté, além do surgimento de uma classe social extremamente rica, os barões do café, que traziam roupas e talheres importados da frança, e ergueram luxuosos casarões de fazenda.



A ferrovia chegou em meados do século 19, dinamizando o escoamento e a exportação do chamado "ouro negro" brasileiro. 


Nunca pode ser esquecido que toda a riqueza e a prosperidade ocorridas na economia brasileira naquele período tiveram a participação essencial, significativa e principal dos negros escravos. 



Com sua força, ao carregar os pesados sacos de café sobre a cabeça até os entrepostos ferroviários, e com sua pele lanhada e dilacerada pelo açoite das chibatas, os escravos garantiram a boa vida de uma classe econômica exploradora e parasita tão presente nos moldes da produção cafeeira daqueles tempos, classe essa que se perpetuou e hoje ainda é encontrada em forma de herdeiros descendentes e componentes atuais da elite econômica social brasileira.







Casarão que pertenceu ao Barão de Guaratinguetá. Atualmente, o palácio abriga as instalações do Instituto de Educação, uma das escolas responsáveis pelo Ensino Médio na cidade



A imponência da arquitetura, como também o luxo usufruído pela aristocracia cafeeira paulista e brasileira...



foram proporcionados pelo suor e pelo sangue dos negros escravos. "O Brasil foi um imenso engenho de moer cana, café e negros.",  afirma o já falecido sociólogo Darcy Ribeiro, em seu livro "O Povo Brasileiro"



A marca de café brasileiro mais conhecida na época foi a Santos. Muitas pessoas acham que o nome se referia à cidade de Santos/SP, porém, a marca Santos pertencia a família do célebre Alberto Santos Dumont que, além de ser considerado o pai da aviação, também foi um expressivo "barão" paulista cafeeiro.






Outro conhecido representante da economia cafeeira paulista, e neto do Barão de Tremembé, foi o consagrado escritor de Taubaté, Monteiro Lobato. As terras do Vale do Paraíba Paulista, embora extremamente férteis no início da produção cafeeira na região, começaram a das sinas de esgotamento e escassez de nutrientes no final do século 19.




Monteiro Lobato retrata no livro "Cidades Mortas" o cenário do declínio do apogeu do café na região, que esvaziou economicamente cidades valeparaibanas paulistas, antes consideradas as mais ricas do Brasil nos tempos áureos do café, e que passaram à condição de meros modestos centros turísticos algumas décadas depois.



Embora hoje o café não seja mais o principal produto da economia brasileira, o Brasil ainda é o maior produtor mundial de café. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o Brasil é responsável por 30% do mercado internacional do café, que corresponde também à soma da produção dos outros seis maiores produtores mundiais (Colômbia, México, Guatemala, Indonésia, Vietnã e Costa do Marfim). O Brasil, onde 90% da população admira o cafezinho diário, é o segundo maior consumidor mundial do produto, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

ANTÔNIO CONSELHEIRO E O MASSACRE DE CANUDOS






Por Cássio Ribeiro

Quem anda pelas ruas, viadutos e praças de Guaratinguetá, cidade do Vale do Paraíba Paulista com aproximadamente 430 mil habitantes, mesmo que não perceba as expressões profundamente e nem preste muita atenção, acaba atingido de alguma forma em termos de linguagem midiática produzida pelo povo, principalmente por suas camadas menos favorecidas.



É a Folkcomunicação ou Comunicação do Povo, que, a partir da definição dada por Luiz Beltrão nos anos 60, passou a ser entendida sociologicamente como a comunicação realizada pelos marginalizados, que não tem acesso para emitir as expressões de suas opiniões na grande mídia.



Ainda que haja a possibilidade atual de utilização das mídias eletrônicas com suas redes sociais para tal, os agentes tradicionais anônimos da Folkcomunicação urbana se apropriam de monumentos, edifícios e vias públicas como o canal direto para suas expressões midiáticas, que definem certas vezes idéias e ideais das classes menos favorecidas de uma sociedade.



Expressão de Folkcomunicação, sem exceção, toda cidade do mundo tem a sua. O ensaio fotográfico desta semana buscou mostrar a expressão da Folkcomunicação de Guaratinguetá, partindo do plano fechado e indo até ângulos do cotidiano da cidade em uma tarde normal de segunda-feira. 



A sociedade se movimenta e existe ao mesmo tempo em que recebe tais mensagens. Uns entendem alguma coisa, recebem algo, outros repudiam levemente, terceiros se enervam e amaldiçoam quem as fazem, mas na lógica comunicativa humana todos recebem, de certa forma, algo dessas expressões. A grande variação ocorre em como cada um as absorve, e como forma sua opinião sobre as mesmas posteriormente.


Quem passa pelo Viaduto Rosinha Fillipo, entre os bairros do Pedregulho, Campo do Galvão e Vila Paraíba, pode observar a curiosa imagem abaixo:





 























A mesma imagem, que demonstra o uso de uma espécie de gabarito, tela ou forma para gravá-la na parede, pode ser observada na rua Antenor de Vasconcelos Cardoso, próximo à SABAP, no bairro do Pedregulho:














 Já na rua Henrique Dias, no bairro do Campinho, as anônimas amigas Maju, Brenda e Beh, provavelmente do bairro Tamandaré, resolveram selar e declarar publicamente sua amizade:



















No Centro da cidade, à rua Coronel Virgílio, o gigante do desenho abaixo deixa a dúvida se assusta quem passa ou se é assustado pelos transeuntes:









  


O mesmo desenho pode ser observado na Praça São Benedito, junto com um "companheiro" verde:










Na rua Pedro Cápio, no muro do Ginásio de Esportes da SABAP, no bairro Pedregulho, muitos que passam tem a sensação de estarem sendo observados pela expressão do desenho abaixo:













 

Ainda na rua Pedro Cápio, mais adiante, alguns recados característicos da Folkcomunicação são dados sobre a marquise do antigo cinema:











Vale lembrar que a pichação comum no Brasil, ao contrário do grafite, é considerada crime:








 

domingo, 23 de dezembro de 2012

ENSAIO: A FOLKCOMUNICAÇÃO DE GUARATINGUETÁ






Por Cássio Ribeiro

Quem anda pelas ruas, viadutos e praças de Guaratinguetá, cidade do Vale do Paraíba Paulista com aproximadamente 430 mil habitantes, mesmo que não perceba as expressões profundamente e nem preste muita atenção, acaba atingido de alguma forma em termos de linguagem midiática produzida pelo povo, principalmente por suas camadas menos favorecidas.



É a Folkcomunicação ou Comunicação do Povo, que, a partir da definição dada por Luiz Beltrão nos anos 60, passou a ser entendida sociologicamente como a comunicação realizada pelos marginalizados, que não tem acesso para emitir as expressões de suas opiniões na grande mídia.



Ainda que haja a possibilidade atual de utilização das mídias eletrônicas com suas redes sociais para tal, os agentes tradicionais anônimos da Folkcomunicação urbana se apropriam de monumentos, edifícios e vias públicas como o canal direto para suas expressões midiáticas, que definem certas vezes idéias e ideais das classes menos favorecidas de uma sociedade.



Expressão de Folkcomunicação, sem exceção, toda cidade do mundo tem a sua. O ensaio fotográfico desta semana buscou mostrar a expressão da Folkcomunicação de Guaratinguetá, partindo do plano fechado e indo até ângulos do cotidiano da cidade em uma tarde normal de segunda-feira. 



A sociedade se movimenta e existe ao mesmo tempo em que recebe tais mensagens. Uns entendem alguma coisa, recebem algo, outros repudiam levemente, terceiros se enervam e amaldiçoam quem as fazem, mas na lógica comunicativa humana todos recebem, de certa forma, algo dessas expressões. A grande variação ocorre em como cada um as absorve, e como forma sua opinião sobre as mesmas posteriormente.


Quem passa pelo Viaduto Rosinha Fillipo, entre os bairros do Pedregulho, Campo do Galvão e Vila Paraíba, pode observar a curiosa imagem abaixo:





 























A mesma imagem, que demonstra o uso de uma espécie de gabarito, tela ou forma para gravá-la na parede, pode ser observada na rua Antenor de Vasconcelos Cardoso, próximo à SABAP, no bairro do Pedregulho:














 Já na rua Henrique Dias, no bairro do Campinho, as anônimas amigas Maju, Brenda e Beh, provavelmente do bairro Tamandaré, resolveram selar e declarar publicamente sua amizade:



















No Centro da cidade, à rua Coronel Virgílio, o gigante do desenho abaixo deixa a dúvida se assusta quem passa ou se é assustado pelos transeuntes:









  


O mesmo desenho pode ser observado na Praça São Benedito, junto com um "companheiro" verde:










Na rua Pedro Cápio, no muro do Ginásio de Esportes da SABAP, no bairro Pedregulho, muitos que passam tem a sensação de estarem sendo observados pela expressão do desenho abaixo:













 

Ainda na rua Pedro Cápio, mais adiante, alguns recados característicos da Folkcomunicação são dados sobre a marquise do antigo cinema:











Vale lembrar que a pichação comum no Brasil, ao contrário do grafite, é considerada crime: