domingo, 7 de outubro de 2012

O RIO PARAÍBA DO SUL DA NASCENTE À FOZ





Por Cássio Ribeiro


No lugar do choro daquele que acaba de deixar o útero materno, o som do primeiro filete de água que escorre ao desprender-se das entranhas da terra no local conhecido como Lagoa, no alto dos Campos da Serra da Bocaina, dentro dos limites do município de Areias-SP, a 2 mil metros de altitude aproximadamente.


Assim vem ao mundo o senhor Paraíba do Sul "da Silva", um dos brasileiros mais importantes que nascem e morrem dentro da Região Sudeste. Na nascente, o ar gelado e puro do alto da serra e o perfume da mata proporcionam um frescor nas vias respiratórias que lembra a sensação das balas mentoladas.


O personagem mais antigo e importante do Vale surge dentro de uma grota coberta por densa vegetação. A água sai do chão e começa a correr por uma pequena valeta na parte mais baixa do terreno, num modesto fluxo com a mesma intensidade daqueles dos cantos de rua em dias de chuvas fracas.

"A água das chuvas se infiltra nas regiões mais altas e satura o solo. Em determinado ponto do terreno com característica côncava, a água aflora muitas vezes repleta de minerais que entrou em contato nas camadas subterrâneas durante a infiltração", explica o geógrafo Fábio Cox de Britto Pereira, de São José dos Campos.



Depois de vir ao mundo, alguns metros mais adiante, o jovem Paraíba do Sul sai da mata onde nasce, corre através de uma curta canaleta e despenca numa singela queda de aproximadamente meio metro.




Primeiro salto da água do Paraíba
 

A nascente, que é a principal e mais alta de toda a bacia do rio Paraíba, marca o início do rio Paraitinga — rio de águas claras em Tupi Guarani — e está a aproximadamente 35 quilômetros do litoral de Mambucaba, no estado do Rio de Janeiro. Porém, o relevo íngreme da Serra do Mar, obriga o curso d’água a percorrer uma distância de cerca de 1380 quilômetros até chegar ao Oceano Atlântico, no norte do estado do Rio de Janeiro; formando assim, com uma vasta rede de afluentes, uma das mais importantes bacias hidrográficas da América do Sul.

Para chegar à nascente, deve-se seguir pela rodovia Presidente Dutra até o trevo que fica próximo à cidade de Cachoeira Paulista/SP e, a partir daí, rumar em direção a Silveiras/SP pela rodovia SP-66. 
 
No portal de Silveiras, o turista deve entrar à direita e seguir em direção ao Bairro dos Macacos. A rodovia é asfaltada, porém, sem acostamento e muito sinuosa. São 30 quilômetros de percurso que sobe a Serra da Quebra Cangalha, passa pelo lugarejo Bom Jesus e chega ao Bairro dos Macacos, que possui cerca de 600 habitantes.

O Bairro dos Macacos parece perdido e encravado no meio da serra. No local, o guia perfeito para a subida até à nascente do rio Paraíba é seu Helinho Mecânico. Fazendo jus ao apelido, o quintal de seu Helinho Mecânico é cheio de carros em pedaços: um fusca completamente retalhado, outro sem motor e um terceiro aparentemente inteiro; além de dois jipes, um de fabricação nacional e outro norte americano. O mato por cortar invade carcaças em pleno clima frio das escarpas da serra da Bocaina.

 
Seu Helinho Mecânico é muito falante. Com seu inseparável boné azul, enquanto esquenta a água em uma chaleira sobre o fogão à lenha para fazer café, se alegra ao falar sobre a nascente. Conta que o volume de água onde brota o Paraíba nunca se alterou, mesmo nas estiagens mais rigorosas. Revela ainda que próximo à nascente vive um personagem solitário: seu José Lima, sujeito de pele escura que se retira para trabalhar na roça durante o dia, e que também costuma conversar com um velho rádio AM, concordando com as ofertas anunciadas e debatendo com o aparelho quando discorda de alguma notícia.

 
No percurso até a nascente, que tem início no Bairro dos Macacos, são mais 26 quilômetros de estrada não pavimentada, que se embrenha pela Serra da Bocaina adentro. 

Outra dica de seu Helinho Mecânico é subir com fusca ou jipe bem cedo, após o raiar do dia, pois no fim das tardes de primavera e verão, as chuvas costumam castigar o alto dos Campos da Bocaina. A água misturada com o barro da estrada termina em atoleiro certo.

A vista do Alto da Bocaina compensa o esforço da subida. Pode-se observar, bem abaixo, a Serra da Quebra Cangalha e o Vale do Paraíba Paulista, ao norte, coberto por densa bruma. Ao fundo, a Serra da Mantiqueira forma generosa moldura elaborada pela natureza. Os Campos de Cunha estão a oeste e os cumes da Serra do Mar completam a esplendorosa vista, ao sul.


O outro formador do rio Paraíba do Sul é o Paraibuna, que nasce no Bairro da Aparição, na região dos Campos de Cunha, bem mais abaixo que a nascente considerada a principal, na Serra da Bocaina. 



O nome Paraibuna quer dizer rio de águas turvas na língua indígena. "Apesar de limpo, o rio nasce em uma região rica em sedimentos que escurecem a água", diz o ambientalista Fernando Celso, de Guaratinguetá, que desenvolve o projeto de elaboração de um livro sobre o rio Paraíba do Sul.



O Paraitinga e o Paraibuna são represados e formam o lago da barragem de Paraibuna. O curso d’água que surge na vazão da represa é o rio Paraíba do Sul, que corre para o oeste, na direção da cidade de São Paulo e, curiosamente, a apenas 18 quilômetros do curso do rio Tietê, é impedido de tornar-se um afluente deste pela elevação do Planalto Paulista.
 

Por um capricho da natureza, que parece conspirar para que o Paraíba percorra longo caminho até o mar, o Rio faz a famosa curva de Guararema e entra no Vale a que dá nome, fazendo um giro de 180 graus e correndo para o leste, novamente na direção onde está sua nascente, só que agora em terreno bem mais baixo do que ela.

No sentido literal da expressão, o Vale do Paraíba parece mesmo pertencer ao rio Paraíba, que corre calmo, serpenteando pelo fundo da grande depressão longitudinal existente entre as Serras da Mantiqueira e do Mar.


                                                                   Clique na imagem para ampliar      

Imagem do satélite CBERS, na qual observa-se a Serra da Mantiqueira, ao norte, e o rio Paraíba do Sul, em preto,  serpenteando pelo fundo do vale a que dá nome (Vale do Paraíba). O Paraíba tem o sentido de suas águas da esquerda para a direita da imagem, e passa pelas cidades paulistas de Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista e Cruzeiro, cujas formas urbanas podem ser percebidas em tom de rosa na imagem


Na bacia do médio Paraíba, que se estende de Guararema/SP até Cachoeira Paulista/SP, a declividade média do curso d’água é de 19 centímetros por quilômetro, e as principais atividades econômicas são a agropecuária e a industrial. A baixa declividade faz o Paraíba correr de forma sinuosa. A navegação é impedida por saltos, corredeiras rasas e alguns trechos curtíssimos de alta declividade e encachoeirados.


 O Paraíba correndo tranquilo em seu trecho paulista, num fim de tarde em Guaratinguetá


A Bacia do rio Paraíba possui uma área de 57 mil quilômetros quadrados e se estende por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo formada por 180 municípios que despejam cerca de um bilhão de litros de esgoto por dia no Rio, além do lixo orgânico e industrial equivalente ao produzido por quatro milhões de habitantes. "As corredeiras, em certos pontos, contribuem para a oxigenação da água, que acaba facilitando a decomposição da matéria orgânica pelas bactérias. O rio acaba, em parte, se purificando naturalmente", afirma o engenheiro ambiental Sérgio Pereira, de Guaratinguetá.



Manilha que desemboca no Paraíba do Sul, em Guaratinguetá



 Mesmo com as agressões, a própria natureza cuida da purificação parcial do Paraíba nos trechos em que a água do Rio é oxigenada pelas corredeiras



Apesar da intensa poluição no trecho paulista do Paraíba do Sul, ...




 a tradição da pesca no Rio, herdada dos índios que vivam em suas margens antes da chegada dos portugueses por aqui, permanece viva na região valeparaibana paulista



PERSONAGEM DO RIO PARAÍBA DO SUL
(JORGE DAS PANELAS) 
Em junho de 2006, como relata o texto abaixo, nossa reportagem flagrou de forma casual um típico personagem do rio Paraíba do Sul, em seu trecho de Guaratinguetá. 

Seu Jorge das Panelas, naquela ocasião com 84 anos, não é mais visto pescando à beira do Rio, e não tivemos mais notícias dele. Esperamos de coração que ele esteja bem.


O texto e a foto abaixo foram publicados na extinta revista Pense, em agosto de 2006:

Quem passa pela ponte Dr. Eurípedes Zerbini, sobre o rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, ao olhar para baixo, logo percebe um guarda-chuva preto preso a uma haste de madeira bem na margem direita do Rio. O conjunto serve como abrigo do Sol para seu Jorge Marinho Barbosa, de 84 anos, morador do bairro do Tamandaré, em Guaratinguetá. Ele pesca no trecho que fica em frente à praça onde está o monumento das Três Garças.

Seu Jorge nasceu em Silveiras / SP, de onde saiu há 72 anos, tempo em que afirma sempre ter pescado e comido peixes do rio Paraíba. O apelido "Jorge das Panelas" é resultado de muitos anos de consertos em panelas de pressão.

Seu Jorge das Panelas


Seu Jorge marca ponto todas as quartas na feira do bairro do Pedregulho e, aos sábados, na feira do Campo do Galvão, ambas em Guaratinguetá.

No Paraíba, ele pesca usando pedaços de carne como isca. Seu Jorge garante que existem algumas piabas que foram soltas na represa de Santa Branca e escapam quando as comportas são abertas para dar vazão ao excesso de água das chuvas.

Jorge das Panelas é carismático, simples e cheio de sabedoria popular. Um exemplo humano típico das raízes do Vale do Paraíba, quase em extinção nos dias de hoje, devido ao crescimento urbano das cidades da região.


CURIOSIDADES DO RIO PARAÍBA DO SUL

                                                                                                Foto: Portal VR        
 A cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, recebeu esse nome por causa dessa curva que o rio Paraíba do Sul faz ao passar pela região onde a massa urbana da cidade se desenvolveu, como pode ser observado na foto aérea acima 



 Trecho do rio Paraíba onde foi encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida por três pescadorres no século 18. Ao fundo, observa-se a Basílica Nacional


São extraídos cerca de cinco bilhões de litros de água do Rio diariamente para consumo. O setor industrial utiliza a metade. A outra metade abastece 14 milhões de pessoas que dependem das águas da bacia do Paraíba do Sul. 90% da população do Grande Rio de Janeiro é abastecida pelo lago do Reservatório de Lajes.



O Paraíba do Sul, com seu volume de água e números estatísticos gigantes, chega ao norte do estado do Rio de Janeiro. Recebe seus dois últimos e maiores afluentes: os rios Pomba e Muriaé. Passa pelas cidades de São Fidélis e Campos dos Goytacazes, que estão há 12 horas de viagem por rodovia, a partir do Vale do Paraíba Paulista, e chega sereno ao 'fim' de uma longa vida, encontrando o mar em São João da Barra. Trata-se do segundo maior deságue em forma de delta da América do Sul.



 Imagem de satétilte com o registro do curso final do rio Paraíba do Sul. No deságue, em São João da Barra / RJ, pode-se observar a coloração alaranjada da água do mar, que é resultante da grande quantidade de sedimentos barrentos levados pelo Paraíba até seu encontro com o Oceano Atlântico


Outra imagem de satélite em escala maior que a anterior, mostra o detalhe da foz do rio Paraíba, que é o segundo deságue em forma de delta da América do Sul

  
Depois de serem maltratadas pelo homem durante todo seu trajeto, ao receberem esgoto, lixo doméstico, lixo hospitalar, lixo industrial e produtos químicos, as águas do rio Paraíba do Sul, assim como as do rio Tietê em São Paulo, se recompõem parcialmente por meio da própria magia da natureza, quase que por um instinto de sobrevivência natural capaz de preservar a vida de um personagem tão importante. 


Personagem  que ajudou a escrever, seja no seu leito com a descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida, ou em suas margens com o desenvolvimento das cidades por onde passa, uma parte significativa da História do Brasil.

domingo, 30 de setembro de 2012

A INESQUECÍVEL RÁDIO RELÓGIO FEDERAL





Por Cássio Ribeiro


Nas décadas de 70, 80 e 90, quem ligasse o rádio na sintonia de AM 580 Khz, logo ouvia uma curiosa programação. 


Primeiro um toc toc toc, assim mesmo, um toc toc toc incessante dos segundos ao fundo, e uma transmissão mais ou menos assim: "Você sabia? O primeiro cronômetro marítimo foi construído no ano de 1715 pelo inglês John Harrison. A formiga pode levar 70 vezes o seu peso. A luz do sol demora aproximadamente 8 minutos e meio para chegar à Terra; o prezado ouvinte sabia? Toc toc toc, seis horas, cinqüenta e quatro minutos, zero segundo, pim pim pim toc toc toc." O pim pim pim era mais fino e entrava sempre depois que a hora certa era informada minuto a minuto, 24 horas por dia, pela voz da locutora Íris Lettieri.


Era a ZYJ 465 Rádio Relógio Federal, que marcou época na história do rádio brasileiro. Naqueles tempos, acertar o relógio era sinônimo de sintonizar a Rádio Relógio Federal. Muitas pessoas nem tinham relógio, pois bastava a pilha do rádio estar boa, que a hora era ouvida com um complemento de notas informativas culturais minuto a minuto, sem interrupção.


No meio da década de 80, muitas mães abriam a porta e a janela do quarto das crianças lá pelas 6, 7h da manhã:

— Você vai perder a hora da aula !

O sol matinal então invadia o ambiente e o rádio era ligado na Rádio Relógio. A rotina diária de muita gente começava assim: "Você sabia? O coração da baleia da Groelândia pode pesar até 5 toneladas. A palavra Maricá tem origem no Tupi, e significa capim de espinhos." E o toc toc dos segundos sempre ao fundo. "A pulga consegue pular a uma distância correspondente a 350 vezes o comprimento do seu corpo. É como se um ser humano pulasse a distância de um campo de futebol. Cada minuto que passa, um milagre que não se repete, toc toc toc, seis horas, cinqüenta e cinco minutos, zero segundo pim pim pim toc toc toc... Rádio Relógio Federal; cultura, noticias e a hora certa do Observatório Nacional, 24 horas no ar, minuto a minuto." 
E assim a programação "fluía". No lugar de ponteiros girando, ou números digitais se sucedendo, as vozes, o toc toc toc e o pim pim pim incessantes ecoavam nos 580 Khz do rádio.


Muita gente, principalmente as crianças, achava que a "pobre" locutora Íris Lettieri ficava 24h tendo que dizer a hora certa a cada minuto, e que só podia alimentar-se ou ir ao banheiro no intervalo entre cada minuto que informava. E os cochilos? como seriam? Se ela logo "tinha" que voltar correndo para dizer: "Seis horas, cinqüenta e seis minutos, zero segundo pim pim pim toc toc toc...."


Claro que as gravações das 24h reproduzidas minuto a minuto pela Rádio Relógio foram feitas aos poucos, em um antigo equipamento chamado Gerador de Hora Falada, fabricado pela firma alemã Assmann, em 1975.

 O gerador de hora falada que era usado na Rádio Relógio Federal


 Três momentos da voz da hora da Rádio Relógio; a jornalista, atriz, e locutora carioca Íris Lettieri. Primeiro como modelo, ...



 como capa da 1ª revista colorida brasileira, O Cruzeiro, de Assis Chateaubriand, ...





e atualmente na casa dos 70. A locutora tem sua bela voz reproduzida nos principais aeroportos do Brasil, orientando o horário e o local de embarque dos passageiros. Íris diz que criou uma entonação de tranquilidade para as locuções em aeroportos, a fim de transmitir calma aos passageiros que tem medo de voar. Por ter a voz com característica tão singular e marcante, a locução de Íris já foi tema de várias reportagens pelo mundo. Em 1992, a locutora teve, sem sua permissão, a gravação de sua voz usada pela banda Faith No More na música "Crack Hitler", do CD Angel Dust. Íris processou a Banda.


Abaixo, o leitor pode ouvir o trecho original de uma transmissão da Rádio Relógio Federal.



 http://www.youtube.com/watch?v=pp_k-xte1nI


Alguns comerciais da Rádio Relógio também marcaram época e ficaram famosos: "Material elétrico, alta e baixa tensão, atacado e varejo; R. Pinto, que canta de galo com preço de milho picado; General Caldwell, 173, pertinho da Central. Pneu carecou? HM trocou!


A Rádio Relógio Federal foi fundada em 1956. Passou a pertencer, desde 1966, à denominação evangélica Igreja Pentecostal de Nova Vida, do Bispo Roberto McCallister. À exceção dos domingos, quando transmitia os cultos da Igreja de Nova Vida das 7h da manhã às 23h, a programação diária da Rádio era:

Do minuto zero ao minuto 10: Cinema na relógio
Do minuto 10 ao minuto 15: Agenda relógio
Do minuto 15 ao minuto 20: Relógio Notícias
Do minuto 20 ao minuto 30: Falando de Esportes
Do minuto 30 ao minuto 35: Café Espiritual com o bispo Roberto McCallister

Do minuto 35 ao minuto 45: Movimento cultural da Relógio
Do minuto 45 ao minuto 50: Relógio Notícias
Do minuto 50 ao minuto 59: Você sabia?


No início da década de 1990, passando por dificuldades financeiras e com baixos índices de audiência, a Rádio Relógio foi vendida para a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada e liderada pelo pastor missionário R.R. Soares. Chegava ao fim o estilo radiofônico tão singular da saudosa Radio Relógio Federal, que tanto marcou gerações e foi um dos grandes símbolos de uma época no rádio brasileiro.

domingo, 23 de setembro de 2012

AS DUAS IRLANDAS







Por Cássio Ribeiro



As Ilhas Britânicas são uma continuação física do continente Europeu. O bloco continental que forma a Europa fica com a superfície submersa na região do Canal da Mancha, que separa as Ilhas Britânicas do litoral da Europa, onde se localiza a França.


 
Imagem de satélite da Europa: no meio da imagem, à esquerda, observa-se o arquipélago britânico, ...



que é separado da Europa pelo Estreito de Dover. De Dover, na Inglaterra, até o cabo Gris-Vez, na região de Calais, que fica no norte da França, são 33 quilômetros de mar sob o qual passa o Eurotúnel. Os 33 km do Estreito de Dover são a menor distância entre as duas margens do Canal da Mancha. O nome do Canal é devido à mancha da platafroma continental da Europa, que mesmo sob as águas, pode ser observada claramente de cima.



O arquipélago britânico é formado por 6 mil ilhas. As duas maiores e mais importantes são a Grã-Bretanha e a Irlanda. A Grã-Bretanha é a maior, e possui 244 mil quilômetros quadrados. Já a Irlanda, bem menor, tem uma área de 84 mil quilômetros quadrados.


Os primeiros habitantes que originaram a população da Irlanda foram os Celtas, os mesmos que originaram a maioria da população da França. Já a Grã-Bretanha, é formada pela Inglaterra dos bretões, pelo País de Gales dos galeses, e pela Escócia dos escoceses.


A Irlanda foi cristianizada a partir do século 5, mas os irlandeses nunca formaram um reino único. Já em seu início, a Ilha foi dividida pelos irlandeses em quatro reinos fracos, o que culminou com a dominação da Irlanda pelos reis ingleses, a partir do ano de 1171.


Em 1534 na Inglaterra, a Reforma Anglicana tornou o protestantismo a religião oficial inglesa, também seguida no País de Gales e na Escócia. Na ilha da Irlanda, ao norte, alguns ingleses e galeses que lá viviam, passaram a seguir o anglicanismo protestante, porém, os irlandeses daquela região decidiram continuar católicos, a fim de que sua identidade cultural e nacional permanecessem preservadas apesar da dominação inglesa.


 As duas maiores ilhas do arquipélago britânico: Grã-Bretanha, a direita, que abrange os territórios da Inglaterra, do País de Gales e da Escócia, ao norte. A Irlanda, à esquerda em amarelo e roxo, é a segunda maior ilha do arquipélago



 Bandeira do País de Gales



 Bandeira da Inglaterra



 Bandeira da Escócia




A união entre as bandeiras da Inglaterra e da Escócia, mais a antiga bandeira da ilha da Irlanda, dominada inicialmente por inteiro pela Grã-Bretanha, originou a bandeira do Reino Unido



 Reino Unido




Para promover o fortalecimento de sua dominação na Irlanda, a Inglaterra cedeu para imigrantes escoceses e ingleses, terras que pertenciam a irlandeses. O ato era chamado de Plantation, e concentrava nas mãos dos colonizadores ingleses, extensos latifúndios cultiváveis. Essa política provocou a revolta inicial dos irlandeses contra a rainha inglesa Elisabeth I (1558-1603).

Em 1847 e 1848, a Irlanda foi devastada pela Grande Fome, que foi uma praga generalizada nas plantações de batatas, que eram o alimento básico da grande parcela da população de pobres irlandeses. Num total de 8,5 milhões de irlandeses católicos, 800 mil morreram de inanição na ocasião.

O governo inglês não tomou nenhuma providencia para tentar controlar a devastação causada pela fome. Milhões de irlandeses emigraram para os Estados Unidos. A população da Irlanda foi reduzida para 4 milhões de habitantes em 1900.

Os protestantes ingleses, em número de 750 apenas, eram donos de mais de 50% das terras cultiváveis irlandesas. Os católicos controlavam apenas 14% destas terras, por meio de pequenas propriedades.

As indústrias da Irlanda, concentradas ao norte, também eram controladas por ingleses, escoceses e galeses, que, em função da forte imigração operária, eram a maioria na região norte da irlanda. Em 1916, no domingo de Páscoa, ocorreu uma revolta irlandesa nacionalista, que foi dominada pelo exército inglês após sangrentos confrontos.

Em 1919, os parlamentares irlandeses eleitos nas eleições gerais do Reino Unido inglês não aceitaram fazer parte da Câmara dos Comuns, que incluía representantes da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda. Os representantes da Irlanda decidiram formar um parlamento paralelo, chamado de Dáil Éireann, que expediu imediatamente a Declaração Unilateral de Independência da proclamada República Irlandesa, mas o ato não foi reconhecido internacionalmente.

As tropas britânicas e os voluntários da Irlanda do Norte entraram em ação. Foram dois anos de conflitos militares e ataques terroristas com bombas, na chamada Guerra Anglo-irlandesa, ou Guerra da Independência da Irlanda.


Em 1921, o governo do Reino Unido e líderes da Irlanda firmaram um acordo no tratado Anglo-Irlandês, que reconhecia o estado livre da Irlanda, correspondente a 85% do território da ilha irlandesa, e o Ulster, que representa 15% do território da Irlanda e, sendo também chamado de Irlanda do Norte, permaneceu controlado pelo Reino Unido da Grã-Bretanha, já que a maioria de sua população é formada por protestantes escoceses e ingleses, e uma minoria de irlandeses católicos.


 Após o tratado Anglo-Irlandês, em 1921, o domínio inglês permaneceu apenas sobre a Irlanda do Norte, ...

que ainda pertence ao Reino Unido


Bandeira da Irlanda do Norte




Após o reconhecimento, o estado da Irlanda foi integrado à Comunidade Britânica das Nações (Commonwealth), mas os irlandeses nunca tiveram um sentimento de união política e econômica com o Reino Unido. 

 Na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), os outros membros da Commonwealth (Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Canadá) participaram do conflito como aliados do Reino Unido. A Irlanda permaneceu neutra.


 
Em 1949, a Irlanda deixou de participar da Commonwealth e proclamou sua total independência, com o nome de República da Irlanda ou Eire, que quer dizer "ilha" em seu idioma original céltico.
  

Bandeira da República da Irlanda, que é a porção sul da ilha irlandesa, e abrange 85% de seu território, ...


 cuja população é católica





 Dublin, capital da República da Irlanda



Como a República da Irlanda era um país agrário, com reduzidas oportunidades econômicas, muitos católicos migraram para a Irlanda do Norte, em busca de trabalho nas indústrias ligadas ao Reino Unido, e concentradas naquela região. 


Hoje, os católicos constituem 40% da população total da Irlanda do Norte, e sofrem intensa discriminação por parte dos 60% protestantes da população, ligados à Grã-Bretanha.


Em 1956, foi criado na República da Irlanda o IRA (Irish Republican Army) ou Exército Republicano Irlandês, que é uma organização terrorista que reivindica a unificação entre a República da Irlanda (Eire) e os seis condados que formam a Irlanda do Norte (Ulster). 


O IRA já executou vários atentados à bomba e assassinatos de autoridades britânicas e membros das lideranças protestantes da Irlanda do Norte. A principal ação do IRA foi a explosão, em 1979, da lancha pilotada pelo tio da rainha Elisabeth II, e considerado, na Inglaterra, herói da Segunda Guerra Mundial, almirante lorde Mountbatten. 


 





Embora o IRA tenha sido criado oficialmente em em 1956, voluntários que defendiam a República da Irlanda durante a Guerra da Independência da Irlanda, no início da década de 1920, já eram chamados de membros do IRA (Exército Republicano Irlandês)



As reações das forças de segurança do Reino Unido e dos protestantes da Irlanda do Norte também já provocaram muitas mortes entre a população católica da República da Irlanda. 

O episódio mais conhecido aconteceu em 1972, quando 14 civis católicos foram mortos por soldados ingleses em Belfast. O Fato ficou conhecido como "Domingo Sangrento", e virou tema de uma canção da banda de rock irlandesa U2.


Ainda em 1972, o governo do Reino Unido colocou a Irlanda do Norte sobre seu controle direto, por meio de uma ocupação militar. Só em 1998, o primeiro ministro trabalhista inglês Tony Blair estabeleceu um acordo entre ele, o primeiro-ministro da República da Irlanda, e os representantes protestantes da Irlanda do Norte, com direito a intevenção do presidente dos Estados Unidos na ocasião, Bill Clinton. O acordo ficou conhecido como Acordo da Sexta-Feira Santa.


No acordo, ficou estabelecida a realização de eleições para a formação de um parlamento na Irlanda do Norte, que indicaria um primeiro-ministro para comandar politicamente a região, que continuaria ligada ao Reino Unido, porém, com certa autonomia. Os católicos passaram a ter o direito de votar na Irlanda do Norte, o que antes não acontecia. 


Belfast, capital industrializada da Irlanda do Norte (Ulster), onde foi assinado o Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998



Apesar do acordo, nem o IRA, que quer a unificação entre as duas irlandas e a formação de uma só república, nem os extremistas protestantes, que querem continuar ligados à Grã-Bretanha, resolveram abandonar de vez as armas. Ambos os lados ainda possuem membros extremistas que apostam em ações violentas, a fim de que os resultados derrubem o acordo estabelecido em 1998. 

domingo, 16 de setembro de 2012

A CURIOSA VIDA DAS ABELHAS





Por Cássio Ribeiro

As abelhas tem seu período médio de vida determinado de acordo com as atividades que exercem dentro de sua comunidade. Esse período também depende da época do ano em que ocorre o nascimento das abelhas de uma colméia.

A sociedade das abelhas é rigorosamente harmoniosa, organizada e dividida em duas castas, uma reprodutora e a outra estéril. A casta reprodutora é formada pelas rainhas e os zangões.

A rainha é responsável apenas pela postura dos ovos, e é o indivíduo da colméia que possui a vida mais longa, chagando a viver até cinco anos. Já o zangão, possui a única função de fecundar a rainha e vive apenas cerca de 80 dias.

A casta estéril é formada pelas abelhas operárias, que possuem o aparelho genital atrofiado, mas são equipadas e próprias para os vários trabalhos de construção, manutenção e alimentação da colméia.

A vida das abelhas operárias dura entre quatro e oito semanas, de acordo com a época de seu nascimento. Elas vivem mais quando nascem no outono, pois precisam esperar pelas abundantes flores que surgirão na primavera.

Na sistemática classificação do reino animal, as abelhas são insetos divididos em várias espécies: lingustica, carnica, sivula e unicolor. Porém, a palavra abelha é geralmente usada para indicar a abelha doméstica, cujo nome científico é Apis Melífera Ligustica.



 A raça Apis Melífera Ligustica



As várias raças de abelhas apresentam diferenças marcantes, tanto no comportamento quanto na forma, mas sempre há um ponto comum, que é a administração de suas colméias.


Todas as espécies vivem em grupos familiares formadores de sociedades que duram vários anos, e são regidas pelo poder feminino, sendo as componentes de uma determinada colméia sempre provenientes de uma única fêmea rainha.


As abelhas operárias são menores que as reprodutoras (rainha e zangão). Sua forma é diretamente ligada às atividades que devem realizar durante a vida. As operárias executam trabalhos diferentes que se modificam com o passar do tempo, sendo o envelhecimento, assim como nos humanos, um motivador do aumento gradativo de sua experiência e um determinador de suas mudanças de atividade.


Durante os cerca de 80 dias de sua existência, a abelha operária passa pelas seguintes fases de vida que determinam suas atividades: os ovos da rainha “amadurecem” durante três dias. Surge então uma larva sem patas, que se alimenta ativamente, fazendo de 1000 a 1300 refeições diárias.


Toda essa intensa alimentação faz a larva aumentar seu peso em cinco vezes só nas primeiras 24 horas de vida. Seis dias depois de deixar o ovo, a larva, que ainda vive no alvéolo (célula onde a rainha põe seus ovos na colméia) fecha-se num casulo de seda. Começa a chamada fase crisálida, que é o estágio de 12 dias em que a larva se transforma em um inseto prefeito, atingindo sua forma adulta e definitiva.



Nos próximos 14 dias, a jovem abelha operária desempenha sua primeira função dentro da colméia, que é a de produzir alimento para a rainha, os zangões e as novas larvas. Só depois desse período inicial de trabalho dentro da colméia, a operária sai para procurar alimento, tornando-se assim uma abelha coletora.
 
Jovem abelha produzindo alimento

 

A fase coletora de uma abelha dura cerca de 7 dias apenas. Depois desse período, as operárias entram na idade senil e voltam a trabalhar dentro da colméia, realizando as atividades que necessitam de mais experiência para serem executadas (produção de cera, construção de favos e alvéolos, limpeza, proteção da entrada e ventilação da colméia). Em caso de necessidade, as operárias senis podem voltar a coletar alimentos.


Como coletora, cuja função é desempenhada num breve período de 7 dias durante a vida e ...


na última fase da vida, mais maduras e experiêntes, construindo e cuidando da colméia



A abelha rainha tem como função exclusiva a procriação, e pode produzir entre 1500 e 2000 ovos por dia. Possui, portanto, o maior tamanho corporal; tem abdome grande e alongado em forma de cone. Suas asas não cobrem completamente o abdome e são maiores que as asas das abelhas operárias.


O aparelho bucal da rainha não a possibilita produzir cera, geléia real e coletar pólen como as abelhas operárias. Durante a vida, que pode chegar a cinco anos, a rainha só sai da colméia para o vôo nupcial, que ocorre entre o 5º e o 7º dia de sua vida. Sua alimentação durante a vida é constituída exclusivamente de geléia ou gelatina real, produzida pelas glândulas situadas sob a faringe das abelhas operárias em sua fase jovem de vida, na qual desempenham a função alimentadora.



Dois momentos da rainha: apontada em destaque entre população da colméia e ...



rodeada por várias operárias durante a ovulação


Os zangões, que podem viver em média entre 40 e 80 dias, têm o corpo de tamanho médio, não tão grande quanto o das rainhas e nem tão pequeno quanto o das operárias. As asas dos zangões são geralmente do tamanho do abdome, que é mais curto e grosso em relação ao das fêmeas.

 
 
operária à esquerda, zangão à direita e a rainha ao centro, com corpo maior e mais alongado


Os olhos dos zangões são bem desenvolvidos, porém, eles não tem características físicas que os possibilitem alimentar-se sozinhos ou desempenhar algum trabalho dentro da colméia.


Os zangões são fortes, mas são inúteis para a vida em comunidade. Não possuem ferrão, glândulas para a produção de mel e coletor de néctar. A única função dos machos é fecundar a rainha virgem, mas morrem logo após a cópula. Quando se separa do zangão, a rainha arranca os órgãos genitais e parte dos intestinos do macho.



Os zangões são úteis apenas no período que vai do fim da primavera ao verão, quando as fecundações acontecem. Os machos que não fecundam, e por isso não morrem no ato da cópula com a rainha, são abandonados fora da colméia e eliminados pelas abelhas operárias.


 
Momento em que um zangão é eliminado por um grupo de operárias


As colméias possuem um número médio e constante de indivíduos de acordo com as necessidades de manutenção das mesmas. Por exemplo, uma colméia média é formada por cerca de 100 zangões, uma abelha rainha e 60 mil abelhas operárias.


A atividade em uma colméia acontece com maior intensidade durante o dia, quando a luz solar garante uma maior quantidade de flores abertas nas plantas, sendo assim bem mais farta a oferta de pólen e néctar na natureza. Também há atividade nas colméias à noite, embora seja bem menos intensa que durante o dia.


Embora as abelhas coletoras tenham como principal atividade a função de transportar pólen e néctar, também carregam bálsamos e própoles, que são substâncias pegajosas de cor escura derivadas de plantas resinosas. A própole é o material “cimentador” usado na construção dos favos e para tapar as fendas das colméias, além de cobrir os “cadáveres” de seres intrusos à colméia. Os bálsamos são usados para envernizar o interior dos alvéolos antes que a rainha deposite ali seus ovos.


 
  Abelhas operárias fechando as células hexaédricas dos favos




Outro elemento de extrema importância para a manutenção da vida na colméia, e que também é transportado pelas abelhas coletoras, é a água, que é essencial para manter a temperatura amena na colméia, principalmente nos períodos mais quentes do ano.


Apesar de toda essa mobilização ativa na colméia, a coleta de pólen e néctar é sem dúvida a atividade mais importante. É espetacular a atividade das abelhas operárias durante a coleta desses dois alimentos. Para uma abelha operária coletora completar uma carga de néctar, deve visitar cerca de mil flores.
 

Como a carga média transportada por uma abelha é de 5 miligramas por vez, e uma colméia chega a produzir cerca de 1 quilo de mel por dia durante a estação das flores, são necessários milhares de vôos realizados por cerca de 30 mil das 60 mil abelhas operárias de uma colméia.


A vida de uma colméia é definida por regras bem claras, e está diretamente ligada à manutenção da sobrevivência da espécie. A rainha exerce influência sobre todas as outras abelhas de sua colméia por meio de uma secreção glandular que cobre todo o seu corpo.


As abelhas operárias distribuem, de boca em boca, essa secreção glandular para todos os indivíduos da colméia. A substância química distribuída informa que a rainha está viva para todas as abelhas.


Caso a rainha morra, ou o número de indivíduos de uma colméia cresça ao ponto de a rainha não conseguir mais produzir a secreção glandular em quantidade suficiente para “marcá-los” todos, é necessário substituir a rainha. As abelhas alimentadoras escolhem e preparam algumas larvas entre as quais será escolhida uma nova rainha.


No caso de uma velha rainha morrer, a escolha da nova rainha será rápida e garantirá a sobrevivência da colméia. Já no caso da rainha permanecer viva, mas sua secreção glandular ser insuficiente para todos os indivíduos de sua colméia, haverá uma disputa mortal pelo trono entre as novas rainhas candidatas. Nesse caso, a velha rainha deixará a grande colméia para a vencedora e, acompanhada por algumas operárias que lhe serão fieis, sairá em busca de outro lugar adequado para construir uma nova colméia.


As abelhas também possuem capacidade de comunicação umas com as outras. Um curioso exemplo dessa comunicação é o clássico método de transmissão da informação sobre as fontes de alimentos encontrados pelas coletoras durante seus vôos de exploração.


Quando uma abelha coletora localiza uma nova fonte de alimentos, volta à colméia levando consigo pólen, néctar e perfume das flores do novo lugar que descobriu e visitou. A coletora inicia uma dança que permite às outras abelhas a localização das flores do lugar da nova fonte de alimentos.


A “dançarina” traça desenhos no ar com seus vôos e realiza movimentos de diferente intensidade com o abdome. Os movimentos fornecem às outras abelhas dados esclarecedores sobre a distância e a direção do novo lugar dos alimentos em relação à colméia.


O tipo de pólen e o perfume que trás consigo informa a espécie de flor da nova fonte de alimento. A intensidade, o ritmo e a cadência dos movimentos do abdome indicam a consistência, a distância e a direção do novo depósito de pólen e néctar descoberto.


Por meio de experiências realizadas, foi observado que uma abelha coletora indica, por meio de seus movimentos corporais, novas fontes de alimentos a até 3 quilômetros de sua colméia, com uma precisão de 50 metros. A “dança” também serve para informar a localização de locais adequados para a construção de novas colméias.



Após sua dança, a descobridora voa de novo para a nova fonte de alimentos, acompanhada por outras abelhas coletoras. Se no retorno dessa expedição ainda houver alimento abundante na nova fonte descoberta, uma nova viagem será realizada com um número maior de abelhas coletoras.


As coletoras são capazes de compreender a dança de abelhas da mesma espécie, mesmo que sejam de colméias diferentes. Porém, não existe comunicação entre operárias de espécies diferentes pois, embora todas as abelhas se comuniquem por meio de um mesmo tipo de linguagem corporal, o “dialeto” diferente de cada espécie torna a dança incompreensível entre espécies diferentes.


É prudente não incomodá-las!

As abelhas apresentam aspectos muito curiosos em relação à sua organização social e aos estudos dos mecanismos bioquímicos e fisiológicos exercidos pela rainha no controle de sua colméia. 



Fascinante também é a constatação de que as abelhas podem ser treinadas, tal como os roedores. Esse curioso inseto pode ser condicionado a apertar uma alavanca em grupo, ou realizar outra tarefa simples para obter alimento, uma solução de açúcar por exemplo.



Abelhas: frágeis sozinhas, fortes quando em grupo. Exemplo de organização social coletiva que, embora sejam irracionais, podem ter em diversos aspectos seus educados exemplos organizacionais adotados como modelo pelo racional ser humano.