domingo, 19 de junho de 2011

FUSCA: A SAGA DE UM SETENTÃO IMORTAL




Por Cássio Ribeiro



O barulho do motor soa inconfundível quando o elegante e arredondado senhor passa pela rua ainda hoje. É apertado sim, é antiquado se comparado com os modelos automotivos do século 21, mas também é danado de forte e possui uma lataria muito resistente. É um dos carros preferidos nas regiões rurais e montanhosas do Brasil, graças ao vigoroso e tradicional motor boxer refrigerado a ar. Possui o carinhoso apelido de "besouro" e tem o dia 20 de janeiro dedicado em sua homenagem. Trata-se do carro que quem ainda não andou, seguramente já o viu trafegando pelas ruas; o fuca, o fusquete, o fuscão, o simpático fusca.











O engenheiro austríaco Ferdinand Porsche se inspirou em uma gota para desenvolver o carro em 1936, associando as características de eficiência e baixo custo para produzir um veículo capaz de, ao preço acessível de 990 marcos, possibilitar que cada trabalhador alemão tivesse um automóvel.Era o tempo da Alemanha Nazista, e Hitler não estava preocupado com o lucro; queria a promoção da popularidade do regime, por meio de um projeto que reunia no Volkswagem (carro do povo em alemão), a simplicidade do motor boxer refrigerado a ar, e a caixa de marcha compactada em uma mesma unidade.





Uma das raras fotos em que Hitler aparece sorrindo, no momento em que é apresentado à miniatura do protótipo do "besouro"


Cada cidadão alemão que quisesse adquirir o carro, tinha que pagar 5 marcos por semana e só receberia o veículo após o término do pagamento do valor total de 990 marcos. Cerca de 175 mil alemães aderiram ao plano, porém, nenhum deles chegou a receber seu tão esperado fusca. Todas as 640 unidades produzidas até 1944 foram dadas aos integrantes mais importantes do Partido Nazista. A Alemanha saiu derrotada da 2ª Guerra Mundial, que terminou em 1945. A região do país onde os fuscas eram fabricados ficou sob domínio da Inglaterra.





Nos Estados Unidos, o fusca começou a ser produzido em 1949. No início, contou com a antipatia do povo americano que, no começo dos anos 1950, ainda o associava ao odiado e não esquecido nazismo de Hitler. Os americanos também estavam acostumados com automóveis grandes e a modelos com frente e traseira quadrados. Logo, o fusca recebeu o apelido pejorativo de beatle (besouro em inglês), nos Estados Unidos.




Foi o americano Bill Bernback — considerado o maior publicitário da historia — quem popularizou o carro na terra do Tio San. O estilo de seus anúncios fez o fusca ficar famoso em todo o mundo e deu origem a um novo jeito de fazer propaganda, que tratava o consumidor como se fosse um amigo próximo. O título da campanha de Bill era "pense pequeno". Os consumidores chegavam às lojas de automóveis repetindo os textos da campanha publicitária.





No Brasil, o primeiro fusca foi fabricado em 02 de fevereiro de 1953. Porém, a produção em série só começou em 1957, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek. Era a época da Bossa Nova e do desenvolvimento econômico. O fusca chegou como um símbolo da industrialização nacional.




Nos anos 70 e 80, o fusca era produzido em 140 países. Quebrou um recorde de 15 milhões de carros vendidos, pertencente à Ford até 1972. O carro foi produzido no Brasil até 1986. Teve a produção retomada durante o governo Itamar Franco, entre 1994 e 1996, ano em que sua fabricação foi novamente extinta no país. Atualmente, o motor boxer só é fabricado no Brasil para atender as encomendas das fábricas de buggy e embarcações.




O México foi o último país a encerrar a produção de fuscas, em 2003, graças a uma sobrevida sustentada pela grande aceitação do modelo pelos taxistas daquele país.





Fusca é um mito, uma poesia, uma nostalgia em quatro rodas auto afirmada pelo exemplar mais ilustre, o Herbie de Hollywood. O carro sempre foi comparado a insetos; de carochinha em Portugal à joaninha, nos tempos em que era usado como viatura da Polícia Militar em alguns estados brasileiros. O fato é que, em pleno século 21, o besouro na verdade lembra as formigas. Não importa em qual cidade se esteja, sempre há um fusca por perto.




Assim como as estrelas que chegam ao fim de seu ciclo no universo permanecem visíveis na Terra, graças ao último raio de luz emitido que viaja pelo espaço em nossa direção, o astro fusca insiste em não se ofuscar ainda hoje. Quem dera se eles falassem.

domingo, 12 de junho de 2011

ÂNGULOS DIFERENTES DAS QUEDAS NO SURF. ÂNGULOS ATRAVÉS DOS QUAIS, TALVEZ, VOCÊ NUNCA TENHA VISTO





Por Cássio Ribeiro


Todos os dias, acordamos e entramos em contato com um mundo que é velho conhecido nosso. Vemos carros nas ruas, pessoas que andam apressadas nos centros das grandes cidades, crianças que brincam e tudo o mais que o leitor já viu, guardou em sua memória e é capaz de lembrar-se agora; pense só!




Só que também existem acontecimentos que se repetem periodicamente em nosso mundo vivente e nós não podemos perceber, seja pelo local impróprio onde acontece tal fato, seja pela própria rapidez do acontecimento em si, que não permite ao nosso limitado aparelho visual humano registrar. São momentos mágicos, únicos, lindos e, infelizmente, não testemunhados de forma ocular pela maioria dos humanos.




É por esses momentos e acontecimentos que não podemos ver que o fotógrafo australiano Mark Tipple é fascinado. Mark, que tornou-se especialista em registrar imagens de banhistas e surfistas no fundo do mar, conta que sempre foi atraído pelo que acontece abaixo da superfície; aquilo que está acontecendo e não podemos ver.





"Como vim com um repertório de surfe, eu costumava imaginar o que acontece quando estamos mergulhando, como é a aparência de um ângulo diferente do que costumamos ver. Eu costumava surfar com uma pequena câmera de vídeo presa ao meu capacete. Funcionou surpreendentemente bem, mas meu pescoço não conseguia absorver o impacto enquanto eu tentava mergulhar e capturar o ângulo certo. Tentei uma nova abordagem para capturar aquilo que queria; o que, basicamente, significava sair da prancha de surfe. Sem prancha, eu virava a câmera para os surfistas e os fotografava enquanto eles se contorciam e lutavam para evitar a água acima (da onda). Chegando à superfície, olhei a tela de led (da câmera) e a primeira imagem desse meu novo trabalho estava lá", conta o fotógrafo. Mark também afirma que, em 2011, está trabalhando para associar seus trabalhos com causas humanitárias.



Nesta semana, o Blog da Rádio Web Matrix apresenta uma matéria diferente. Publicamos neste domingo 12/06, um ensaio fotográfico do australiano Mark Tipple. As fotos sensacionais falarão por si, não sendo necessários textos muito aprofundados além de alguns comentários em forma de legenda embaixo das fotos. Nessa semana, a expressão do trabalho deste Blog fica apenas a cargo das imagens do australiano Mark Tipple, confira abaixo:




Acho que vi uma gatinha sendo "tragada" pelo tubo ali à esquerda




Congestionamento aliviado por diferentes níveis de "navegação"

Um "caldo" solidário e espelhado




A tempestade 1





A tempestade 2




Depois de toda tempestade ...




sempre vem ...



a bonança

Em situações como essa, no Havaí por exemplo, a rasa e afiada bancada de coral faz picadinho de surfista




E viva o Sol

domingo, 5 de junho de 2011

A ARTE SUBTERRÂNEA DE ZEZÃO




Por Cássio Ribeiro


Imagine ruínas abandonadas que já foram antigos prédios. Imagine acomodações rústicas embaixo de viadutos que são habitadas por mendigos. Imagine também o sistema subterrâneo de escoamento das águas da megalópole São Paulo, que drena os fluídos dos esgotos e as correntezas das chuvas da superfície asfáltica e concretada da capital paulistana para o poluído e agonizante Rio Tietê.

Esses locais certamente não são o lugar mais apropriado para um artista expor seus trabalhos, contudo, foram escolhidos pelo ex-punk e ex-motoboy paulistano José Augusto Capela, o Zezão, para criar e fazer sua arte.




Nos tempos em que era punk e motoboy, nos idos da primeira metade da década de 1990, Zezão começou praticando sua expressão por meio da pichação comum. Sua assinatura era “Vicio Pif Dst” (“vicious pintores infratores ferroviários destroy) e Zezão escalava prédios públicos para grafitar.

Com o tempo, sua caligrafia foi ganhando forma arredondada e as letras acabaram virando desenhos abstratos com caráter mais incrementado e artístico, lembrando uma espécie de língua tribal que não pode ser entendida de forma direta por nós, mas que possui expressivo significado de comunicação como veremos. Convido o agora, de certo, indignado leitor, a seguir até o fim desta matéria.




Zezão no início praticava a pichação comum, como esses jovens de São Paulo...



Com o passar do tempo, as letras de suas expressões ganharam novos contornos,...




até chegarem à forma atual e abstrata de seus flops, que hoje são reconhecidos como obras de arte em todo o mundo


O cenário da galeria, que não é especificamente aquela das artes, sem dúvida também não é dos mais agradáveis. Na parede, um “revestimento” com centenas de baratas saúda Zezão, que caminha.

Certa vez, a lanterna falhou subitamente e Zezão se viu envolto pela escuridão em pleno labirinto de túneis. Nenhum problema para o grafiteiro que conhece como ninguém a São Paulo que o cidadão comum, em suas idas e vindas pela cidade, não vê; aquela do subsolo.

Outro problema que pode atingir Zezão, de forma fatal, é amenizado pelo inseparável telefone Celular que o artista carrega sempre que se aventura nas galerias em tardes de verão na capital paulista.

Zezão deixa sempre um amigo de plantão para verificar a formação de nuvens sobre a cidade, a fim de avisá-lo via ligação sobre a iminente chegada de um temporal, o que encheria rapidamente os túneis até o teto com violentas correntes de água e arrastaria o grafiteiro indefeso para a calha do Rio Tietê, num afogamento certo e muito poluído.





Zezão afirma que seus maiores inimigos no ambiente onde grafita são os pregos enferrujados pelas águas do esgoto, ...


mas também sabe que corre muito perigo com a subida repentina do nível das águas que correm rumo ao Rio Tietê em dias de chuva forte


O grafiteiro conta que certa vez, ao ser avisado sobre a chegada de uma forte chuva, saiu rápido pela tampa de um bueiro em uma famosa via pública da capital paulista, para surpresa dos pedestres e motoristas que transitavam pelo local no momento.

Zezão agora caminha com uma lanterna nas mãos no interior de uma galeria. A água urbana passa ligeira e turvamente poluída na altura das canelas do grafiteiro, e só não entra em contato com a pele do artista graças a uma bota de borracha (galocha) que zezão usa como calçado para percorrer os caminhos subterrâneos da cidade de São Paulo.

O grafiteiro sabe de cór o ranking de velocidade da corrida aquática do esgoto que sempre assistiu fluir numa espécie de mix entre regata e fórmula 1, e cujas campeãs absolutas com melhores tempos de chegada ao Rio Tietê são as garrafas pet.




Zezão costuma dizer que embora não sejam dos mais limpos, os lugares onde ele grafita, diferentes de outras regiões da cidade, são calmos e cheios de paz, apenas com o som das águas lembrando os riachos e cachoeiras que corriam por ali antes de serem canalizados e poluídos pela urbanização desenfreada


Os outros “participantes” da fórmula 1 da má educação e da sujeira promovidos e patrocinados pelos habitantes de São Paulo são frutas estragadas, pacotes de petiscos, caixas de pasta de dente, dezenas de cachorros e alguns cavalos, além de muitos outros “corredores” anônimos que concorrem nas “provas” de má cidadania que não acontecem apenas em São Paulo, mas também em toda grande cidade onde haja a concentração do animal, muitas vezes “irracional”, ser humano.

Pode-se observar por meio do lixo urbano preso, o nível que a água corrente chega nos dias de chuva forte.


A iluminação que incide através dos bueiros empresta um ar de galeria de arte sofisticada às obras de Zezão nos subterrâneos paulistanos


A forma como Zezão produz um grafite seu é descrita abaixo num trecho de texto publicado na Revista piauí, um ícone do jornalismo literário brasileiro, em http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-12/grafiteiro/zezao-sai-do-esgoto:
“Zezão tira o menor rolinho de espuma, o de 4 centímetros de largura, da sacola que leva atravessada no peito, e o mergulha na tinta azul- clarinha. Na parede interna da galeria de esgoto, pinta um pequeno círculo. Do meio dele faz sair um traço horizontal para a esquerda e, com agilidade, pinta ao redor uns arabescos. Uma das pernas encaracoladas do desenho, a mais magricela, segue como um pega-rapaz em direção às águas opacas e malcheirosas do córrego Carandiru. "Por esse esgoto correu o sangue dos detentos, por isso gosto de voltar aqui", diz, em tom reflexivo, enquanto agita, como se fosse um chocalho, uma latinha de tinta. É sempre assim. Com o rolinho, ele faz desenhos sinuosos com o azul-claro. Com o spray azul-escuro, faz o contorno.” Crédito: Revista piauí.





O que Zezão faz nem tem muito apego com a estética e na verdade é uma forma de intervenção urbana, que mostra, através do contraste entre o azul cheio de vida dos desenhos do grafiteiro e o meio urbano degradado, como um lugar que já abrigou um rio limpo cheio de peixes e vida foi destruído pela ocupação desequilibrada e cruel de uma grande cidade como São Paulo. Os grafites abstratos de Zezão expressam ao mesmo tempo vergonha, saudade, crítica ao sistema e muito mais.



Nesta imagem, por meio do reflexo do trabalho de Zezão na água poluída, pode ser observada a essência da obra artística urbana do grafiteiro, que traz novamente, através de suas cores vivas, um pouco de alegria e vida para um lugar completamente degradado. Trata-se de uma espécie de curativo para cidade ferida pela poluíção, pela violência e pela morte




Trata-se da Folkcomunicação (comunicação do povo), que a jornalista brasileira Márcia Campos, de Pindamonhangaba-SP, que vive atualmente na Irlanda e é estudiosa de Folkcomunicação explica: “Folkcomunicação é um termo cunhado por Luiz Beltrão nos anos 60 para definir a comunicação realizada pelos marginalizados (público que está a parte da grande mídia). Ela pode estar diretamente ou indiretamente ligada ao folclore. Trocando em míudos, folkcomunicação nada mais é do que a expressão comunicativa dos grupos marginalizados através de seus próprios canais e agentes. Além do grafite, a pichação comum também é uma expressão comunicativa dada por inscrições que assumem diferentes formas como assinaturas, desenhos, frases de efeitos, etc. Geralmente suas mensagens são de cunho politico e tomam como canal vias publicas, monumentos e edificios (midia externa), tal expressão tem como objetivos desafiar a ordem publica, chocar e expressar idéias, e ideais de um grupo marginalizado, que toma para si um meio público e massivo como canal. Assim sendo, todo o processo comunicativo da pichação envolve todos os agentes destacados por Beltrão na Folkcomunicação”, completa a jornalista.


Vale lembrar que, embora a pichação comum também faça parte da Folkcomunicação, sua prática, quando expressada em prédios e monumentos urbanos, é considerada crime no Brasil



Quando questionado sobre o motivo que o levou às ruas, Zezão afirma:“Eu desenhava sem pretensão. Queria só rabiscar. Eu sempre gostei das ruas, queria deixar a cidade mais bonita."



Zezão já expôs seus trabalhos pelo mundo: em Londres, em Nova Iorque, nas Catacumbas de Paris, em Praga, capital da República Tcheca e em diversos outros países.



Para ele, sua obra só é considerada grafite quando é realizada no meio urbano, e não quando é exposta em galerias ou vendidas em placas de concreto com o propósito de decoração em ambientes, por preços que chegam a variar entre 1000 e 4000 reais.


Zezão em túnel de Londres




Sua obra em exposição no RJ...




e em uma galeria de arte em Nova Iorque. Em exposições como essa, Zezão não considera suas obras grafite...





ficando a definição "grafite" reservada apenas para as práticas públicas no meio urbano, como nesse trabalho no bairro do Bronx, em Nova Iorque



Em diferentes e curiosas ocasiões, sendo elas grafite ou não, é certo que as obras de arte de Zezão saíram dos esgotos e subterrâneos para ganharam literalmente o mundo.

domingo, 29 de maio de 2011

UM RAIO X DE JIM MORRISON E THE DOORS






Por Anderson Pedro


Jim Morrison era filho do almirante George Stephen Morrison e sua mulher Clara Clark Morrison, ambos funcionários da Marinha Americana. Um dos eventos mais importantes da vida de Jim Morrison vivido por ele aos 4 anos, e que muito influenciou sua personalidade posteriormente, aconteceu em 1947, durante uma viagem da família ao Novo México. Do carro, eles viram o atropelamento de um índio. Jim era criança e ficou muito impressionado com a cena. Mais tarde, daria depoimentos dizendo que, no momento do atropelamento, parecia que ele absorvia o sofrimento do índio atropelado, como se a alma entrasse no corpo dele.




Jim Morrison na infância e ...







Na adolescência





Os pais de Morrison afirmaram que tal atropelamento nunca aconteceu. Morrison dizia que ele ficara tão perturbado pelo caso que os seus pais lhe diziam que tinha sido um pesadelo, para o acalmar.

Em todo caso, tenha sido real ou imaginário, o incidente marcou-o profundamente, e ele fez repetidas referências ao trágico fato nas suas canções, poemas e entrevistas, como por exemplo nas músicas "Peace Frog" e "Ghost Song".


Durante alguns shows do The Doors, Morrison encenava um ritual indígena, de braços abertos e caminhando em circulo. Ele também apreciava a prática da religião do Xamaísmo.


Na juventude, Morrison tornou-se um descobridor interessado em explorar novos caminhos e sensações diferentes, e seguiu uma vida boêmia na Califórnia, frequentando a UCLA (Universidade de Cinema de Los Angeles), onde formou-se no curso de cinema.










A banda The Doors surgiu em 1965, quando dois antigos amigos e alunos da UCLA na ocasião , Jim Morrison e Ray Manzarek, se reencontraram casualmente em meio as aulas. Jim leu-lhe alguns poemas (entre os quais o famoso "Moonlight Drive") A partir deste encontro surgiria uma das bandas de rock mais míticas do século 20.

Para completar a banda, vieram o guitarrista Robby Krieger, e o baterista John Densmore, que conheciam Ray Manzarek das aulas de meditação.






O nome “The Doors” surgiu de uma inspiração poética de seu vocal e líder carismático, Jim Morrison, a partir de um trecho do poema de William Blake: "If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is: infinite" (Se as portas da percepção fossem abertas, tudo apareceria como realmente é: infinito).

Em março de 1971, após todos os membros da banda terem decidido parar por algum tempo, Morrison mudou-se para Paris na companhia de sua namorada, Pamela Courson, com o propósito de se concentrar na escrita, mas sua estada em Paris durou pouco, pois em 3 de Julho de 1971, o mito Jim Morrison, de acordo com relatos misteriosos que variam entre ataque cardíaco e falência múltipla de orgãos, aparece morto na banheira de seu apartamento, aos 27 anos de idade. Há rumores de que a verdadeira causa da morte tenha sido overdose. Também existe uma suposta versão de que Jim na verdade não morreu, pelo menos em tal ocasião.


Leia matéria curiosa sobre mulher americana que afirma ter recebido visitas de Jim Morrison, no link http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/05/26/mulher-americana-diz-ter-sido-visitada-por-espirito-de-jim-morrison-924542757.asp















DISCOGRAFIA COMPLETA







O The Doors lançou nove álbuns de estúdio, sendo três destes após a morte de Jim Morrison, além de mais 14 relançamentos que chegaram às lojas a partir de 1983.
1967 – Strange Days
1968 – Waiting for the Sun
1969 – The Soft Parade
1970 – Morrison Hotel
1971 – L.A. Woman
1971 – Other Voices
1972 – Full Circle
1978 – An American Prayer
1980 - The Doors Greatest Hits
1983 - Alive She Cried
1985 - Classics
1985 - The Best Of The Doors
1987 - Live At The Hollywood Bowl
1991 - The Doors
1996 - The Doors Greatest Hits
1997 - The Doors Box Set
1999 - The Complete Studio Recordings
2000 - The Doors Tribute: Stoned Immaculate
2000 - Essential Rarities
2001 - Backstage and Dangerous:The Private Rehearsal
2001 - Live at Aquarius Theater: The second Performance
2001 - Live at Aquarius Theater:The first Performance
2003 - Legacy: The Absolute Best




Algumas músicas do The Doors foram usadas em filmes: "The end" em Apocalypse Now; "Knoflíkár", "Soul Kitchen" e "Love Her Madly" em Forrest Gump; "Break On Through (To The Other Side)" em Soldado Anônimo, entre algumas outras películas lançadas até hoje.














Anderson Pedro é jornalista carioca formado pela Universidade Estácio de Sá - RJ

domingo, 22 de maio de 2011

AS BEM DITAS ONDAS DE UMA CERTA MALDITA FLUMINENSE FM





Por Cássio Ribeiro


Barão Vermelho, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Kid Abelha e Lobão; esses e muitos outros representantes do rock brasileiro possuem algo em comum que marcou o início de suas carreiras nos idos dos primeiros anos da década de 1980. Todos eles foram lançados ao terem suas fitas K-7 demo tocadas por uma certa Rádio Fluminense FM, a Maldita de Niterói, no estado do Rio de Janeiro.

A Maldita foi antecedida por duas rádios de baixa potência existentes na década de 70; a Federal AM, do Grupo Bloch, e a Eldorado FM, chamada de Eldo Pop na época, e pertencente ao Sistema Globo de Rádio. As duas emissoras foram as primeiras representantes da cultura alternativa do rock no rádio brasileiro.

Em 1974, a Federal virou uma emissora AM popular, com o novo nome de Manchete AM. A Eldorado também mudou de estilo e nome em 1978, passando a ser chamada de 98 FM, ainda hoje uma emissora popular no RJ.

O jornalista Luiz Antônio Mello havia trabalhado na Federal AM e, já que o Grupo Fluminense de Comunicação (dono do jornal O Fluminense de Niterói) ensaiava a emissão das primeiras ondas de sua emissora FM no início da década de 80, Luiz Antônio, junto com o amigo e também jornalista Samuel Wainer Filho, apresentou o projeto de um programa chamado "Rock Alive" aos donos da emissora. Os dois ficaram surpresos ao receberem como resposta do Grupo Fluminense o aval para o controle total da Fluminense FM, tendo ambos a partir de então, a liberdade para fazerem o quisessem com a rádio.

A Fluminense FM, que estava sendo criada para ser uma rádio com perfil romântico, passou então por uma mudança literalmente radical: só mulheres na locução e nada de aceitar jabá (dinheiro das gravadoras para tocar músicas promocionais de um CD­, que na época eram discos de vinil). A mesma música nunca seria tocada 2 vezes no mesmo dia e as locutoras jamais falariam durante as músicas, que também não seriam atropeladas por vinhetas.

Sendo assim, às 6 horas da manhã do dia 1 de março de 1982, entrava no ar a Rádio Fluminense FM, a Maldita de Niterói, em 94,9 MHz. A programação apresentava a coletânea "Rock Voador", resultado da parceria entre a WEA e o Circo Voador, do RJ, responsável pelo lançamento de nomes como Celso Blues Boy e Kid Abelha. Outras atrações eram, além de consagrados nomes de peso do rock mundial, novas tendências da época como The Smiths, New Order, The Cure, U2 e veteranos não conhecidos como Joy Division e Dead Kennedys.






Galera da Maldita em 1982






Um show à parte na programação da Fluminense FM eram as fitas-demo dos até então desconhecidos Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Lobão, Picassos Falsos, Plebe Rude, Capital Inicial, Barão Vermelho e muitos outros.

Era a época de abertura política no Brasil, após quase duas décadas de uma ferrenha Ditadura Militar (1964 – 1985), que governara o país sob moldes de repressão, perseguição política e censura imposta aos veículos de comunicação até o final da década de 1970. A Maldita foi a mola precursora do fenômeno do rock brasileiro da década de 1980, que representou o grito de liberdade de toda uma geração, neta dos chamados Anos de Chumbo.

Mesmo com precária qualidade técnica, as fitas-demo tocadas na Fluminense FM apresentavam criatividade e improviso musical melhor que as das faixas dos LPs das mesmas bandas lançadas pelas grandes gravadoras posteriormente.

Quem girasse o botão do rádio, percorrendo o dial FM carioca naquela época, logo encontrava lá pelos 94,9 MHz o som inconfundível da programação da Maldita, além das vinhetas totalmente originais: "noventa e quatro vírgula nove; Fluminense FM, a estação do rock", seguido pelo som da corda de uma guitarra arrebentando (PIM).

A Maldita, que começou na 15ª colocação de audiência entre as 16 emissoras FM cariocas em 1982, já era a 3ª em 1985, graças a um time de locutoras no qual se destacavam Mylena Ciribelli (Que hoje apresenta o programa Esporte Fantástico na TV Record), e Mônika Venerábile, a Monikinha, consagrada radialista brasileira, atualmente nos 1280 Khz da Rádio Tupi AM carioca.







Mylena Ciribelli: voz inconfundível

Mylena no início da carreira como locutora rockeira da Maldita, à direita

Sentados no estúdio da Maldita, o jornalista e fundador Luiz Antônio Mello e a então jovem locutora Mônika Venerábile, no início da década de 80. Principais programas da Fluminense na época: "Overdrive" (rock em geral), "Contracapa" (rock nacional), "College Radio" (rock independente dos EUA e Reino Unido), " Hellradio" (grunge e rock barulhento da linha pós-punk), "Hard Rock" (rock pesado) e "Fluminense News" (Entrevistas e demos)

Monikinha atualmente é locutora da Rádio Tupi do RJ






O melhor momento da Maldita foi entre 1985 e 1989. Em fevereiro de 1990, o fundador Luiz Antônio Mello deixou a emissora. No mesmo ano, a Maldita perdeu o direito de transmissão do programa "Novas Tendências" para a Rádio Cidade, ficando sem seu tradicional propagador de novidades.

Sem nomes de peso para sustentar seu tradicional estilo rockeiro, a Maldita virou rádio pop em março de 1990, e passou a tocar nomes que nunca tinham frequentado sua programação antes: Dee-Lite, Paula Abdul, George Michael e Technotronic por exemplo. Nessa época decadente da Fluminense FM, um locutor chegou a comparar o grupo estilo “menudo” New Kids On The Block com os Beatles.

Um ano depois, em 1991, a Fluminense voltou a ser rock graças a muitos protestos de ouvintes contra a programação pop. Porém, os tempos áureos e originais do estilo livre que a consagrou como a autêntica Maldita tinham ficado para trás. A nova programação rock da emissora era baseada no repertório da MTV que, recém-chegada ao Brasil, dava destaque para bandas comerciais de sucesso na época, como Nirvana, Red Hot Chili Peppers, R.E.M e Guns N’ Roses.


Passando por dificuldades financeiras, sem publicidade e com baixos índices de audiência, a Fluminense FM foi vendida para a Rede Jovem Pan em 1994. Curiosamente, numa alusão aos 94,9 Mhz da freqüência da Maldita, a emissora encerrou suas transmissões à meia-noite do dia 30 de setembro (Mês 9), do ano de 1994. A última música tocada foi "The End", do primeiro LP do The Doors, de 1967.






Último formato usado para a divulgação da rádio em adesivos e camisetas, antes da Maldita virar franquia da Rede Jovem Pam, em 1994







A Rede Joven Pan deixou os 94,9 FM da emissora de Niterói em 2000. Um grupo de DJs cariocas assumiu a rádio, que passou a se chamar Jovem Rio.

Em 2001, a Fluminense AM 540 KHz ensaiou um regresso ao estilo da antiga Maldita FM e, em 2002, com o fracasso da Jovem Rio, a Fluminense voltou aos 94,9 MHz do dial FM carioca. Quando perguntado sobre a volta da Maldita, o fundador Luiz Antônio Mello disse: "Não acredito em volta de 'E o Vento Levou', 'Beatles', 'Led Zeppelin', 'Leonardo da Vinci', 'Carlos Lamarca', 'Renato Russo', e, obviamente, da 'Maldita'. Por que? Porque o tempo não pára, e como bem escreveu Nelsinho Motta (nada do que foi será/ de novo do jeito que já foi um dia)."

Após o retorno da Fluminense FM, o estilo rock durou muito pouco por falta de dinheiro e anunciantes. A Maldita foi definitivamente vendida para a Rede Band News em 2005.

Dois livros contam a história da Maldita Fluminense FM; são eles: "Rádio Fluminense FM – A porta de entrada do rock brasileiro nos anos 80", da jornalista Maria Estrella (Editora Outras Letras), e "A Onda Maldita – Como nasceu e quem assassinou a Fluminense FM", do jornalista e fundador Luiz Antônio Mello, que falou sobre o livro em entrevista:

"Nosso pequeno exército venceu preconceitos que existiam (e ainda existem) em torno do Rock autêntico, peitou o lixo vivo da Ditadura Militar infiltrado na abertura política, enfrentamos sacanagens, sabotagens, fomos além dos nossos limites. Mas faltava a estrutura comercial, a mesma que faltou a Raul Seixas, Van Gogh, Jimi Hendrix, Mozart, e tantas belas figuras que viveram e foram enterradas depauperadas, ingratamente duras. Ah, sim, existe o chamado "reconhecimento depois da morte", mas e daí? Numa das últimas conversas que tive com Raul Seixas ele disse: (cara, estou duro, bêbado...ninguém quer gravar minhas músicas...mas quando estou fazendo um show eu vejo a putada que me fecha as portas metida na multidão gritando meu nome. Eu fico puto, desolado, arrasado).

Por isso, reafirmo que essa é a última safra do livro "A Onda Maldita..." porque a rádio foi linda, foi maravilhosa, mas foi enterrada viva pela incompetência. Morreu burra, alienada, logo ela que foi berço da inteligência, da vanguarda dos anos 80. Não perguntem nada a mim pois creio ter respondido a tudo e a todos nesse livro. Perguntem quem foi a Maldita a Herbert Vianna, Bi, Barone, Dado Villa-Lobos, Lobão, Maria Juçá, Frejat, Dinho Ouro Preto, Luiz Carlos Maciel, Arthuer Dapieve, Tarik de Souza, Marcos Petrillo, Roberto Medina (a Maldita ajudou no repertório do Rock in Rio I), enfim, perguntem a quem viveu intensamente o Brasil de 1982 a 1985".



Abaixo, o leitor pode ouvir o áudio original do dia da inauguração da Maldita Fluminense FM, em 1982.



sexta-feira, 13 de maio de 2011

UM DESTEMIDO BRASILEIRO CHAMADO PEPÊ






Por Cássio Ribeiro

Início da década de 70. Um grupo de jovens com cabelos compridos, quase sempre alvos de tão louros graças a combinação de sol e parafina, escorrega sobre as ondas da ponta do Arpoador, no Rio de Janeiro. Um píer erguido para facilitar a construção de um emissário submarino marcava o ponto de encontro daquela garotada pioneira do surf brasileiro que, no início, tanto despertava o preconceito e até atraía a repressão das autoridades da época.









Campeonato de surf no Píer de Ipanema na década de 70










Surfista naqueles primórdios era sinônimo de desocupado, e a sociedade não via os praticantes do esporte com bons olhos. Quando o clima agitava o mar e fazia massas d’água nada modestas desabarem entre as colunas do Píer do Arpoador, até mesmo os surfistas com mais tarimba preferiam assistir aquele espetáculo da natureza ao longe.








Surgia então um magro e franzino menino de 14 anos correndo por cima do Píer com sua prancha caseira de forma irregular embaixo do braço. Na impossibilidade de entrar remando no mar e chegar até o ponto onde as violentas ondas começavam a se formar, Pedro Paulo Guise Carneiro, o Pepê, saltava da ponta da ponte de atracação no mar revolto para logo em seguida, sozinho, escorregar em alta velocidade por dentro de bravios tubos de água, a alguns metros das rijas colunas do Píer.
















Pepê aos 14 anos, durante campeonato mirim de surf em Ubatuba SP








As principais marcas de Pepê sempre foram o destemor, o respeito à natureza e o culto ao corpo (sem o tão empregado sentido de malhação atual), pois Pepê cuidava do corpo naturalmente ao praticar o surf e a alimentação natural, balanceada e equilibrada. Essas características associadas promoveram uma trajetória brilhante e respeitada pelo mundo em várias modalidades dos chamados esportes radicais que Pepê praticou.






Aos 13 anos, em 1970, Pepê foi bi-campeão carioca mirim de hipismo. Aos 15, conquistou o campeonato júnior de surf na praia de Ipanema. Ainda aos 17, viajou para se arriscar nas perigosas ondas tubulares de Pipeline, no Havaí; ocasião em que não tomava conhecimento do tamanho e da periculosidade das massas d’água do arquipélago havaiano, e se lançava na primeira onda que aparecesse. Esse estilo arrojado de surfar fez os havaianos chamarem Pepê de “O Kamikaze”, apenas uma semana após o jovem brasileiro ter chegado ao Havaí.















Com os surfistas João Almeida, à esquerda, e George Prytman, ao fundo














De volta ao Brasil, em 1975, Pepê foi participar do 6º Festival Nacional de Surf, em Saquarema, sua primeira competição que reunia grandes nomes do surf. Resultado: o jovem Pepê, embalado pela temporada recente no Havaí, chegou na bateria final junto com nomes como Rico de Souza, Ricardo Bocão e Otávio Pacheco. Pepê não parou por ai, foi o único dos finalistas que conseguiu vencer o mar agitado daquele dia, e chegar até o ponto de formação das ondas, garantindo a exclusividade de deleite no interior de violentos tubos aquáticos e o título do evento.








O feito de Saquarema rendeu a Pepê um convite para participar do Pipe Masters de 1976, que reunia os 18 melhores surfistas do mundo em um torneio no Havaí. O evento dividia os competidores em 3 grupos de 6, sendo que os dois melhores de cada grupo se classificavam para a grande final, e Pepê estava lá, pois foi o 2º melhor de seu grupo. Na final, o surfista brasileiro ficou em 6º (a melhor colocação de um brasileiro em toda a história do surf), pois pegou uma onda a menos que os outros 5 surfistas participantes da final.













Pepê tranqüilo dentro de um tubo em Pipeline, Havaí











Pioneiro na tendência dos sanduíches naturais













Em 1979, Pepê resolveu mudar de esporte, mas manteve o mesmo estilo arrojado que o consagrou como um dos 20 melhores surfistas do mundo daqueles tempos. O vôo livre passou a ser a nova paixão de Pepê, que agora marcava presença diária na praia do Pepino, em São Conrado, onde as asas-delta pousavam e ainda pousam após os saltos da rampa da Pedra Bonita, que fica ao lado da famosa Pedra da Gávea.






Nessa época, baseado na experiência pela própria prática da alimentação natural, Pepê lançou uma moda gastronômica que se tornaria mania da geração saúde do início dos anos 80. Sua barraca de sanduíches naturais na praia do Pepino teria como campeã de vendas uma prática refeição que reunia pasta de frango, beterraba, cenoura, pepino, broto de alfafa, alface e pão integral.












A vida de empresário se alternava com as competições de vôo livre. Em poucos anos de prática com asa-delta, Pepê conquistou o inédito campeonato mundial de vôo livre para o Brasil , em 1981, no Japão. Em 1984, durante um campeonato em Governador Valadares MG, Pepê teve que fazer um pouso forçado devido a uma súbita falta de sustentação em sua asa-delta, e perdeu o baço e um rim. Apesar do acidente, Pepê continuou desafiando a morte em seus vôos destemidos.

Sobrevoando o RJ














Dez anos depois de ter conquistado o campeonato mundial de vôo livre no Japão, Pepê voltou ao país do Sol nascente para tentar o bicampeonato. Era 1991, e a prova final seria um vôo de 100 quilômetros a partir de Wakayama até Kushimoto. Pepê tinha começado o campeonato em 7º e já estava em 2º. O vento era forte e comprometia qualquer possibilidade de vôo seguro. O 1º colocado, o australiano Steve Blenkinsop, ainda cogitou o cancelamento da prova, mas Pepê não aceitou a hipótese; queria como sempre, voar em busca do título e do prêmio de 100 mil dólares oferecidos ao vencedor.









Pepê e o australiano saltaram seguidos por um japonês, que era o 3º colocado. As condições extremamente impróprias permitiram um deslocamento em vôo de apenas 17 quilômetros em 2 horas. Em condições normais, o mesmo tempo permitiria um vôo de 200 quilômetros.







De repente, os três competidores começaram a perder altitude muito rápido. Nosso eterno Menino do Píer, ou melhor, do Rio, chocou-se contra um paredão de rocha. Oito costelas quebradas, hemorragias internas e Pepê ainda gritou o nome dos filhos, João Pedro e Bianca, de 1 e 3 anos na ocasião, e o da esposa, Ana Carolina. O helicóptero de resgate chegou duas horas e meia depois, mas já era tarde. Pepê morreu como sempre viveu, desafiando o perigo. Em 1992, um trecho da praia da Barra da Tijuca e uma avenida no mesmo bairro carioca foram batizados com o seu nome.




quinta-feira, 5 de maio de 2011

AQUECIMENTO PARA O ROCK IN RIO 4







Por Cássio Ribeiro


Já se vão 25 anos que um ousado projeto do empresário carioca Roberto Medina teve sua primeira edição realizada, em 1985. Duas décadas e meia depois, é tempo de comprar ingressos novamente, desta vez, para a quarta edição do Rock In Rio, que será realizada nos próximos dias 23, 24, 25 e 30 de setembro, e dias 01 e 02 de outubro.

Depois de colocar este Blog no ar, no último domingo dia 01 de maio, percebi que esta era a semana de venda dos ingressos, que terá inicio a partir de 00h00min do dia 07 de maio, sábado. Entrei em contato pela Internet com o jornalista carioca e grande amigo Anderson Pedro, a fim de que pudéssemos traçar os planos para podermos cobrir o evento da melhor forma.


Morarmos direto na cidade do Rock durante os seis dias de evento foi a primeira idéia. Logo foi iniciada a lista necessária: barraca de 3 lugares, credencial de acesso ao centro de imprensa, alguns equipamentos indispensáveis etc. Acho que não nos esquecemos de nada, só mesmo do dinheiro, mas como esse não temos sobrando, lá vamos nós com a cara e a coragem.












Apesar de todo o frenesy de poder participar de um Rock in Rio pela primeira vez como jornalista, confesso que, ao olhar detalhadamente a agenda dos dias com as bandas confirmadas, perdi um pouco daquela animação que tomara conta de nós ao fazermos os planos iniciais.

Percebi que esta edição do Rock in Rio, assim como aquela de 2001, não será um evento exclusivamente do rock, mas na verdade um grande festival de música que terá entre suas mais variadas atrações, também, bandas de rock. Bandas de rock de respeito por sinal. Nomes como Metálica, Coldplay, Detonautas, Guns n’ Roses, Pitty, Red Hot Chili Peppers, Skunk, Frejat, System Of a Down, Lenny Kravitz, Capital Inicial, NX Zero e uma “rockemente” suculenta abertura conjunta do evento feita por Paralamas e Titãs no primeiro dia.

O prezado leitor do Blog pode se perguntar: “Como ficar desanimado depois de uma expressiva relação de nomes como esta?” Confesso até que possa estar sendo radical nessa análise, mas vi certos nomes de não rockeiros que sempre fazem show o ano todo e jamais falam em rock ou lembram que rock existe, durante suas apresentações.











Quem são? Basta o leitor dar uma olhada com calma na relação completa das atrações já confirmadas para o evento em www.rockinrio.com.br/pt/lineup/ e poderá tirar suas próprias conclusões. Temo que aconteça com alguns deles o mesmo que aconteceu com Carlinhos Brown em 2001, na terceira edição do evento.
Era 14 de janeiro de 2001 e eu estava lá. Pude ver com meus próprios olhos uma multidão rockeira enfurecida atirando garrafas de plástico de 200 ml vazias de uma certa marca de água mineral que patrocinava o evento, e eram vendidas por um preço absurdo por sinal. As garrafas voavam aos montes na direção do cantor baiano que, de braços abertos e peito estufado, recebia uma chuva de garrafas vazias atiradas sobre seu corpo e dizia frases do tipo: “Nada me atinge!”, “Eu sou da paz!”, “Não jogo nada em ninguém!” , “Eu jogo amor!”, “Eles querem rock...” . Obvio né, o que mais se poderia esperar em um Rock in Rio.

Depois que Brown se retirou, o Palco Mundo, que era o principal daquela edição do evento, tinha um novo piso, já que estava quase todo revestido pela munição de garrafas plásticas usadas no ataque que começou depois que Carlinhos Brown, durante a apresentação da música "Namorada", já executava sua batucada instrumental sem cantar por alguns longos minutos. Ainda hoje encontro pessoas que, ao me ouvirem falar sobre o fato, dizem: “uma daquelas garrafinhas atiradas era minha.”
Veja o momento em que Carlinhos Brown recebeu uma chuva de garrafas plásticas em http://www.youtube.com/watch?v=VxhOaUGhous e confira uma versão do vídeo com a música Água Mineral em http://www.youtube.com/watch?v=VnWJMRdgAd4









A culpa não foi de Carlinhos Brown, e muito menos da multidão, pois como dizia o saudoso jornalista e escritor Nelson Rodrigues: "A multidão é burra." O verdadeiro culpado foi quem escalou o cantor baiano para se apresentar diante de um público de 200 mil pessoas composto por fãs de Pato Fu, Oasis, Ira!, Ultraje à Rigor e Guns n’ Roses, que era a tão esperada última atração daquela noite.

Se olharmos pela ótica do empresário Roberto Medina, até podemos entender que investir na realização de um evento como o Rock in Rio merece retorno financeiro claro. Então se faz até lógico atacar em todas as frentes, estimular a presença de outros públicos e, assim, vender mais ingressos.

Mas falando de forma rockeiramente honesta, não concordo. E se alguém quiser discordar de mim ou do Roberto Medina fique à vontade para comentar ali embaixo. Vale lembrar que este Blog, embora com linha editorial voltada para o público do rock, é um espaço “101%” democrático.

Outra questão que não pode deixar de ser levantada aqui neste primeiro aquecimento, é o fato de eu já ter ouvido protesto de alguns rockeiros quanto à presença do NX Zero, que abrirá o segundo dia do evento, 24 de setembro, no palco principal.

Toda expressão cultural é dinâmica, sabe por quê? Porque as gerações se sucedem. Cada comportamento é resultado do momento cultural da realidade que nos cerca. Uma geração anterior sempre reluta um pouco antes de aceitar as novas formas de expressão cultural e social das gerações que vem depois. Aconteceu isso com aquela galera que estava acostumada a ouvir Led Zeppelin, The Doors, Beatles, Supertramp, Jamis Joplin etc, expressões do rock que fizeram e fazem sucesso desde as décadas de 60 e 70. Não foi num primeiro momento que esse público acostumado com os clássicos ouviu e aceitou o trabalho da nova geração da década de 80 do rock nacional.

Só aceitando o novo, a renovação, podemos ter sempre a certeza de que o rock nunca vai acabar, assim como novos filhos em uma família garantem a sucessão permanente das gerações, que o diga a Família Real Inglesa com Elisabeth II, Charles e William com sua lindíssima e graciosa princesa. Sendo assim eu peço, para o bem e a saudável posteridade do rock, deixem o NX Zero, o colorido Restart e até os pobres dos emos em paz.

A venda de ingressos para o Rock in Rio 4 terá início à 00h00min de sábado, 07 de maio, no site
www.ingresso.com e às 10hs da manhã do mesmo dia 07, nos quiosques dos shoppings Rio Sul, Barra Shopping e Nova América, todos na cidade do Rio de Janeiro. A entrada para cada dia do evento custará R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia entrada).